O espírito do nosso tempo

Vivemos em uma época exponencial. Uma época repleta de possibilidade  e oportunidades, mas marcada por enormes desafios coletivos. Um número considerável de pessoas vivem às margens do nosso sistema econômico e em vulnerabilidade, estamos exaurindo recursos naturais em um ritmo sem precedentes e a maioria das pessoas se dedicam a trabalhos desconectados de qualquer propósito ou contribuição para solução desses problemas.

Por outro lado, os modelos vigentes estão sendo questionados em todo lugar. Vivemos um esgotamento da nossa governança coletiva. O papel das nossas organizações, empresas e governos está sendo revisto.  As relações de emprego e trabalho estão sendo sacudidas, tornando- se mais fluidas e instáveis. 

​Temos ferramentas e meios para transformar o mundo como nenhuma geração antes da nossa, mas os problemas também crescem de forma exponencial. Segundo Otto Scharmer, professor do MIT, vivemos um momento de 3 grandes desconexões: a desconexão social, a desconexão ecológica e a desconexão espiritual.

​Montamos um sistema econômico que ainda deixa uma parcela gigantesca da população às margens dos benefícios gerados, vivendo em periferias urbanas empobrecidas, que consome recursos a uma taxa muito maior do que a capacidade de regeneração natural e que coloca os indivíduos em trajetórias profissionais desprovidas de qualquer propósito além do dinheiro.

Os sintomas e implicações para os diferentes atores e componentes dos nossos sistemas sociais e econômicos são patentes:

  • As empresas enfrentam uma instabilidade sem precedentes. Aparecem novas pressões dos públicos internos e externos. Mercados surgem e deixam de existir em pouco anos. A retenção de talentos e a busca por exercer uma papel relevante na sociedade são um desafio crescente.

  • Os governos, assim como todo o sistema de representação democrática, mostra sinais de esgotamento, tanto no Brasil, quanto em outras nações ocidentais.

  • A sociedade civil organizada parece enxugar gelo, com esforços insuficientes para endereçar os principais desafios globais.

  • Nosso sistema de ensino, em seus diferentes níveis, se baseia em modelos construídos no século XIX, que não atendem a dinâmica do momento atual.

  • As novas gerações chegam com aspirações novas quanto à dinâmica e propósito do trabalho.
     

Se as questões a serem enfrentadas estão cada vez mais evidentes, aparecem também inúmeros movimentos inovadores que constroem sobre os modelos antigos, ao invés de de negá-los e propor rupturas. Estes padrões emergentes podem ser entendidos em 3 níveis: lideranças, organizações e sistemas sociais (redes e governança coletiva). Destacam-se como aspectos importantes: o questionamento do propósito das organizações, em especial as empresas e corporações; as rápidas mudanças nas estruturas organizacionais, cada vez mais orgânicas e menos presas a hierarquias; a tendência de nos organizarmos cada vez mais em redes e menos em organizações com fronteiras rígidas; a busca da integralidade do indivíduo no trabalho; e o questionamento do impacto (externalidades positivas e negativas) das organizações.

Enquanto avançamos século XXI adentro, cada vez mais estamos migrando para um paradigma marcado por agilidade, fluidez, fronteiras organizacionais difusas, empoderamento criativo e junção de lucro com propósito. Neste contexto existem vários movimentos surgindo, incluindo Capitalismo Consciente, Empresas B, Negócios de Impacto Social, Organizações Evolutivas, entre muitos outros.

O Sense-Lab se coloca como veículo para apoiar organizações, redes e lideranças a navegar esses tempos de incerteza e construir modelos mais sustentáveis e equilibrados.