A crise de comunicação não é de ferramenta, é de narrativa


Ele tem personalidade, coloca na mesa o que pensa, se posiciona, é inquieto e nada conformista. Esse é Tony Marlon, morador do Campo Limpo, zona Sul de São Paulo.

Desde que chegou na cidade, em 1998, Tony vem construindo uma trajetória baseada no direito de todos poderem contar suas histórias. Formado em Comunicação, ele é muito mais do que um jornalista. Ele é um empreendedor nato, apaixonado por criar espaços e saltos no imaginário para promover a mudança que quer ver na realidade. Melhor: a mudança que quer ver nas narrativas do mundo. Isso mesmo. Ele, assim como todos na periferia, está cansado de ver sua história ser contada por quem nem vive lá. “Eu nunca vi o meu sotaque, o meu cabelo ou alguém que se parece comigo narrando a minha história”, diz Tony.

Uma de suas grandes inspirações foi o grupo de hip hop/rap Racionais MC’s. Quando chegou em São Paulo e ouviu as músicas dos Racionais, um dos grupos mais popular do Brasil, falando de onde ele morava, pronto, foi tudo o que Tony precisou para saber que não estava sozinho nessa jornada. “Os Racionais me deram uma identidade porque eu me identificava com a história que eles contavam. Antes, o meu imaginário era o que eu via sendo contato na televisão”, comenta.

Outra figura importante na história de Tony Marlon é o Projeto Arrastão do qual Tony fez parte e foi lá que pode ampliar seu repertório imaginativo. “A gente só imagina futuros possíveis se ampliamos o repertório de futuros possíveis. Por isso, as organizações de base são extremamente importantes dentro dos territórios”, diz. E foi lá, dentro do projeto Arrastão que, em 2008, surgiu a agência de comunicação Maré Alta. “Estávamos cansados de ver as pessoas que não moravam onde nós morávamos, nos resumindo a uma palavra – carente. Resolvemos construir uma agência de comunicação que contasse a nossa história, do nosso jeito, que falasse afirmativamente sobre o mundo”.

Em 2013, Tony deu vida à Escola de Notícias, uma escola antroposófica de comunicação que trazia uma metodologia para formar o olhar de quem conta a história. “A crise de comunicação não é de ferramenta, é de narrativa. A ideia era formar a próxima geração de contadores de história que a gente merece ter”. Este ano, mais um projeto nasceu – Historiorama, conteúdo e experiência. “Trabalhar para que todas e todos contem a sua história do mundo”, é como Tony define o Historiorama. Como ele mesmo diz, é muito importante ter diversidade na fala, criar a escola em que a gente gostaria de ter estudado. “Não adianta querer falar para todo mundo se não tem todo mundo falando”. Simples assim. Como fruto do Historiorama, também lançaram um jornal onde meninos e meninas, que passaram pela formação de comunicação, escrevem sobre os direitos sociais de seus bairros levando informação aos seus pais. Mais: criaram um Podcast de 15 minutos para contar a história de um personagem, a partir de quem a pessoa é.

Historicamente a história da comunidade sempre foi contada por quem não mora lá, por outro olhar, outro viés, outra leitura. Existe um mundo acontecendo e não só a mídia tradicional. Existe uma rede de jornalistas dentro da periferia.

Hoje, Tony Marlon está à frente do Historiorama, mas os outros projetos continuam existindo, justamente porque eles fazem sentido. E ele não para por aí. Num futuro, provavelmente Tony não estará mais no Historiorama, que irá fluir naturalmente, já que faz sentido, assim ele pode voar para novas iniciativas e, então, ir criando os espaços que precisamos para transformar o que queremos em realidade.

Esse texto é apenas um resumo muito singelo de tudo o que o Tony faz. Como citado no início, ele é inquieto. Está sempre criando algo para promover o bem-estar, reflexões e mudanças positivas. Imagine que, incomodado com as notícias ruins que todos os dias são televisionadas no jornal da noite, ele se propôs a fazer uma rápida leitura – uma poesia, trecho de um livro, de uma música –, ao vivo no seu Instagram, lá pelas 23h30, para que as pessoas possam ir dormir com uma mensagem positiva, mais leve, gostosa. Quer ter bons sonhos? Segue o Tony no Instagram!

Maria Carolina

A graduação em jornalismo rendeu uma estreia e tanto para Carol, que depois de formada conseguiu um estágio na sucursal da TV Globo de Londres. De volta ao Brasil, fez uma longa carreira na editora Abril, onde teve a oportunidade de trabalhar em diversas revistas, como Veja, Claudia, Bons Fluidos, Men’s Health, Estilo, Nova, Boa Forma entre outras. Mas foi sua paixão por pessoas e pela África que a levou a fazer pós-graduação em Gestão Social e especialização no Continente Africano, além de mergulhar nesse mundo através de voluntariados e viagens nada convencionais, como uma temporada na Libéria, por exemplo. O espírito livre, aventureiro e curioso levou Carol a explorar o mundo, outra grande paixão - viagens e diferentes culturas. Depois de passar por uma multinacional cuidando de projetos sociais, no Brasil e em Dubai, ela optou por focar toda a experiência profissional e multicultural, sua energia, paixão pelo próximo e gratidão pela vida, em negócios que façam a diferença nas diversas questões socioambientais que enfrentamos mundo afora.


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