Tem início o Programa de Aceleração 2020 de negócios de impacto na Amazônia


Foi iniciado no último mês de fevereiro o Programa de Aceleração 2020 da Plataforma Parceiros pela Amazônia que busca apoiar iniciativas de impacto socioambiental positivo na região amazônica e com isso contribuir para a manutenção da floresta em pé e a conservação da biodiversidade. Durante cinco dias, sendo os 3 primeiros imersos no meio da floresta amazônica, o Sense-Lab esteve reunido com 15 negócios selecionados pelo Programa a fim de gerar reflexões sobre a narrativa de impacto, o modelo de negócio e os indicadores de sucesso de cada um deles, utilizando como base o Modelo C.

O Programa de Aceleração da PPA se destaca por estar 100% dedicado ao empreendedor que atua na floresta Amazônica, às suas demandas e realidades regionais. Além do processo de incubação e aceleração dos negócios, o programa oferece oportunidades de investimento, cooperação, networking e a criação de uma comunidade de negócios sustentáveis interconectados.

É liderado por um grupo de empresas da PPA, coordenado pelo Idesam e conta com apoio estratégico e financeiro da USAID, CIAT, Instituto Humanize e Fundo Vale.

A oficina inaugural da etapa de aceleração do Programa reuniu durante cinco dias (17 a 21/02) integrantes dos 15 negócios selecionados pelo Programa e foi facilitado pelo Sense-Lab e Move Social, parceiros do Programa e idealizadores do Modelo C, e também pela Maniê, consultoria que apoia o desenvolvimento de pessoas e organizações que buscam gerar impacto positivo.

O Modelo C ajuda negócios de impacto a desenhar, em uma narrativa única, suas duas dimensões – impacto e sustentabilidade -, integrando ferramentas eficientes que têm sido utilizadas para modelar esses negócios: Business Model Canvas, que se concentra no desenho do negócio, e a Teoria de Mudança, que olha para a cadeia de resultados.

O resultado desta primeira oficina foi a realização de uma modelagem com base no Modelo C de cada negócio, uma matriz de indicadores elaborada a partir dessa modelagem e um plano de ação que guiará toda a jornada do Programa.


Uma das particularidades do Programa de Aceleração da PPA é a customização a partir das necessidades dos próprios negócios acelerados. Assim, além dos planos de ação individuais construídos ao longo desses cinco dias, o grupo sugeriu temas a serem abordados nos próximos encontros presenciais, que deverão acontecer nos meses de abril e junho. O Programa tem seis meses de duração, e inclui ainda mentorias individuais, assessoria jurídica, contábil e de marca, bolsas para participação de eventos e cursos.

“Estamos extremamente empolgados com essa nova turma. São negócios e empreendedores que têm potencial para transformar a economia da região, cada um na sua área, em sua especialidade. E a construção dos modelos de negócio e das Teorias de Mudança de cada um deles nos permitiu avaliar em profundidade o impacto que cada um quer gerar e construir também os indicadores que irão avaliar o crescimento desses negócios. É uma turma extremamente promissora”, avalia Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Idesam, instituição implementadora do Programa de Aceleração da PPA.

A coordenadora do Programa, Ana Carolina Bastida, avalia o primeiro encontro dos empreendedores muito positivamente, destacando o fato de eles terem definido, por meio do planejamento estratégico elaborado com base no Modelo C, em quais desafios avançar nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a coordenação do Programa passou a entender também as fragilidades e desafios de cada negócio e como contribuir para o avanço deles. “Outro ponto a destacar é que, com a Teoria de Mudança e a matriz de indicadores construídos ao longo desses dias, já sabemos quais os principais itens a serem mensurados nas próximas etapas do programa, em termos de mudança, de impacto e de resultados”, completa.

Imersão proporcionou conexão entre os empreendedores

O primeiro workshop de 2020 durou cinco dias, em três dos quais os empreendedores ficaram imersos em um hotel de selva sem conexão com internet. Nesse período, o grupo trabalhou intensamente o Modelo C, ao mesmo tempo em que estabeleceu laços mais aprofundados, encontrando similaridades nos desafios de seus negócios e possibilidades de cooperação.

“É um grupo diverso, mas complementar. Isso proporciona uma troca bem rica e fortalece a rede. Eles saem desse workshop bem unidos no senso de propósito, da Amazônia, dessa causa maior. E nós percebemos um alinhamento de intenções muito grande no Programa de Aceleração da PPA, no cuidado com a seleção, com o grupo de facilitadores, nossa sensação é de fluxo de trabalho. Saímos empolgados com o grande potencial de impacto dessas iniciativas”, avaliam Vitor Motomura e Julia Florez, da Maniê.

Yurik Ostroski, do Sense-Lab, destaca que o processo de seleção bem feito para chegar aos 15 negócios acelerados fez toda a diferença na composição do grupo, e que durante a aplicação do Modelo C, ao olhar mais de perto a estrutura de cada um deles, transparece uma consistência já muito grande no dia a dia das iniciativas. “Precisam de uma lapidação aqui e ali no modelo de negócios, talvez nos indicadores, mas na essência eles já têm uma causa muito forte de transformação. Procuramos criar uma energia, durante a facilitação, para que os conteúdos não ficassem muito maçantes, e colocamos em todos os dias muitos momentos de conexão entre eles. Quando se trabalha com problemas sistêmicos, precisamos estimular essa união, as trocas entre quem já testou coisas e pode ajudar. Vi isso acontecendo em vários momentos. Embora eles estejam trabalhando muitas vezes com cadeias diferentes, têm muito aprendizado comum nos modos de fazer. Para nós, estar nessa rede de parceiros que o Idesam, o Programa de Aceleração e a PPA proporcionam é formidável. Aprendemos muito. ”

Antônio Ribeiro, da Move Social, lembra que o campo dos negócios de impacto é novo, e que vem sendo construído de modo coletivo: “A proposta do Programa de Aceleração da PPA surge muito atenta a essa construção coletiva de um campo de investimento e negócios de impacto. A gente vê isso no dia a dia do trabalho com os empreendedores e empreendedoras. É bacana ver parceiros, empreendedores e todo mundo ligado à PPA buscando pensar junto o que é esse campo, como atores do campo social e ambiental, resistindo às diversas pressões que estão acontecendo. Essa é a força de um programa como esse. Trazer as diversas vozes dos diferentes atores do ecossistema pra fazer junto. É uma perspectiva coletiva e de resistência.”

O grupo que participa do Programa de Aceleração da PPA em 2020 é composto por negócios que trazem soluções em agricultura e pecuária sustentável, manejo e produção florestal, produtos e serviços ambientais, educação para conservação do meio ambiente, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, dentre outros. Três cooperativas extrativistas integram a turma, o que proporcionou também trocas bastante construtivas entre elas desde o primeiro dia.