Evolução: Mais uma etapa na jornada do Sense-Lab

23/12/2017

O Sense-Lab fecha seu ciclo de planejamento anual com uma nova clareza de propósito

 

Os momentos de evolução em geral são marcados por um novo foco e uma recém aprendida clareza de visão. Muitas vezes esses momentos também requerem renúncia e desapego. Renúncia de modelos e caminhos trilhados no passado e desapego de coisas que podem ser importantes, mas que não tem mais lugar na nova etapa que se inicia.

 

O Sense-Lab fecha mais um ciclo ressignificando todos os seus momentos anteriores e refletindo sobre como as diversas experiências e aprendizados definem o caminho a frente. Em novembro iniciamos o nosso planejamento anual, ou “Visão 2018”, com um já tradicional retiro em um sítio em Mairinque. Trata-se de um momento intenso de reflexão e construção coletiva. O ciclo se desdobra ao longo de uma série de reuniões até o fim do ano.

 

 

As reflexões desse ano foram marcadas por um forte amadurecimento do Sense-Lab em diferentes aspectos, desde experiência e conhecimento, até estrutura organizacional e coesão da equipe, passando por redes de relacionamento e parcerias.

 

Sobretudo percebemos que o Sense-Lab que estava no PowerPoint, no site e no discurso interno e externo, já não era mais o Sense-Lab que estava “vivo” naquele momento.

 

A capa do documento que resume o nosso planejamento anual tradicionalmente traz a frase “We are movers, shakers, sensemakers!”. E o ano de 2017 de fato foi bastante agitado e corrido, com muitas coisas interessantes acontecendo e pouco tempo para respirar e refletir. Agitamos onde pudemos. Fizemos novas amizades e parcerias, tecemos redes. Nos envolvemos nos mais diversos projetos, do terceiro setor a grandes empresas, do Mato Grosso do Sul a Bahia e Santa Catarina.

 

Na nossa frente de cursos avançamos com a realização das turmas 3 e 4 do Business Design for Change, uma formação extremamente vivencial e prática de estruturação de negócios com foco em solucionar problemas sociais e ambientais. É um processo profundo, que mexe com os participantes e com os facilitadores e que cria grandes amizades e parcerias. Em paralelo avançamos com novas temáticas e formatos como Life Designing, que ajuda os participantes a refletirem sobre a sua trajetória de vida e com formações menores como o Negócios com Propósito focado na temática de negócios de impacto social.

 

Colocamos também muita energia em um projeto que batizamos de Ondas de Transformação, realizado com apoio da Fundação Arymax. É um projeto que nasce da vontade de entender e fomentar todo um ecossistema de inovação social e negócios de impacto em quatro distritos da zona sul de São Paulo: Campo Limpo, Capão Redondo, Jd. São Luiz e Jd. Ângela. Até aqui foi um processo incrível de conhecer pessoas guerreiras e espaços de resistência em meio a adversidade e sobretudo um aprendizado das nossas limitações e do poder da colaboração.

 

Na frente de projetos desbravamos cada vez mais o desenvolvimento organizacional, o desenho de processos de aprendizado e sobretudo a temática de redes, governança e processos multi-stakeholders. Exercitamos o engajamento e a gestão de redes nos mais diferentes contextos. Trabalhamos com a CDI International no desenho de uma rede global de organizações focadas em empoderamento digital e com a Fundação Grupo Boticário e o WWF em desenvolvimento de processos participativos para a conservação ambiental. Desenvolvemos processos práticos de formação de jovens de baixa renda com o Instituto Reciclar, e trabalhamos a inovação para melhor atender a população com a Companhia de Metrô de São Paulo. Fizemos diversos trabalhos focados no campo de finanças sociais e negócios de impacto.

 

E a vivência trouxe o aprendizado. Se nos enxergávamos como uma organização de gestão e desenvolvimento organizacional para terceiro setor e negócios de impacto, com especial ênfase para empreendedores sociais em estágio inicial e negócios de base comunitária, vimos o nosso papel se ressignificar ao longo do ano.

 

 

 

 

Cada vez mais entendemos que a solução está na diversidade de movimentos. Se os negócios de impacto trazem uma importante contribuição para solucionar problemas sociais e ambientais através do empreendedorismo, movimentos como Capitalismo Consciente e Empresas B conversam com organizações de outros portes e outras naturezas, trazendo provocações e novos modelos para empresas consolidadas. Se o conceito de organizações evolutivas extrapola o questionamento do propósito das organizações, olhando também para organização interna através da autogestão e a integralidade do indivíduo no trabalho, sua implementação, assim como a de todos os outros modelos, requer pessoas e lideranças cada vez mais conscientes e questionadoras. Mais do que nunca precisamos de uma evolução no nível de consciência do indivíduo. Novos modelos organizacionais não são nada sem um conjunto de valores e uma visão de mundo mais integral, que extrapole algumas das prisões e caminhos pré-concebidos que criamos no passado recente.

 

Desta forma partimos para 2018 com uma visão mais clara do que queremos. Queremos ser parte de um movimento cada vez maior e mais vivo que busca um mundo mais sustentável e equilibrado. Queremos colaborar e fazer juntos. Nossa atenção se volta para três esferas: organizações regenerativas, que busquem minimizar seus impactos negativos e maximizar os impactos positivos sobre a sociedade e os ecossistemas, enquanto se organizam de forma diferente; sistemas sociais regenerativos, na forma de redes, processos multi-stakeholder e governança participativa; e lideranças e pessoas conscientes.

 

Assim entramos neste novo ano em um momento de renovação, nos despedindo de algumas pessoas que seguiram novos caminhos e acolhendo uma turma vibrante que vem renovar as nossas energias. Avançamos amadurecendo relacionamentos e parcerias, e testando e consolidando novos modelos organizacionais, que buscam alternativas às estruturas tradicionais. Avançamos para um amadurecimento de temáticas e um novo fluxo de projetos e programas que se desenham no horizonte.

 

E sobretudo, seguimos inquietos, rebeldes, inovadores, questionadores, porém consequentes e resiliêntes, e certos de que precisamos mudar a forma como atuamos coletivamente, mas que um mundo melhor é possível através da nossa evolução individual e coletiva.

 

Andreas Ufer

 

Apaixonado por inovação social, estruturação de negócios e por conectar pessoas, Andreas é formado em engenharia pela Poli-USP e pela Universidade de Aachen na Alemanha, tem MBA em Gestão Estratégica de Negócios pela FGV e pós-graduação executiva em Estratégias de Impacto Social pela Universidade da Pensilvânia.

 

Após atuar por 9 anos em diferentes empresas, de grandes grupos corporativos, a empresas de pequeno e médio porte, Andreas fundou o Sense-Lab e se dedica atualmente a buscar soluções para desafios sociais e ambientais, unindo a racionalidade econômico-financeira à geração de valor coletivo.

 

 

 

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