Sobre Transformação: o nosso lugar é na Ação


Vivemos em uma época de infinita Trans-form-ação.

O Planeta se transforma.

A Política, se deforma.

A Economia? Criativa, circular ou até tradicional, vem tentando se reinventar a cada dia.

Os processos culturais, ajudam a transformar o nosso modo de olhar, expandindo a nossa mente; para enxergamos “outras formas” de se fazer, para recebermos “as outras” pessoas -com cada uma das suas realidades.

E as pessoas?

Vivemos em um constante estado de transição, fazemos parte de um sistema que, para sobreviver, precisa de mudanças, deformações e mutações e, porque não? Também de todas as possíveis transformações .

Há um bom tempo venho pensando sobre o meu papel na transformação, sobre o que significa fazer parte dela, viver em busca dela ou de, simplesmente, entender a idéia da Transformação como ela é.

Grandes questionamentos têm surgido sobre o que é ser protagonista da Transformação, e não somente parte da corrente que arrasta às mudanças.

Transformação: “a ação e o efeito de transformar”. Um processo global e que está criando vida própria à partir das frentes de atuação que tem surgido a cada dia e em cada canto do nosso planeta.​

Diante do incômodo de não nos encontrarmos em nenhum lugar.

Diante da resposta interna que muitas vezes sana nossos conflitos pessoais e profissionais: “acho que esse nao é o meu lugar”, me deparei com um desânimo que estava me impedindo de avançar:

Não existem ambientes totalmente transformados; ainda não existe aquele lugar utópico onde buscamos chegar.

A gente, simplesmente faz parte de processos de transformação, de movimentos, que tem um início mas não um final certo.

Form-Ação: forme a ação

Somos cada vez mais pessoas na busca pela transformação social.

No meu caso, a aventura começou quando vim para o Brasil pela primeira vez, há quase três anos, e me deparei com uma realidade completamente distante de tudo que eu já havia vivido até lá.

Conheci a diversidade, a desigualdade, as injustiças que afetavam muitos dos que estavam ao redor e me acompanhavam…

E tudo parecia seguir os passos e as dimensões de um gigante incompreensível, que ninguém consegue parar:

São Paulo, a cidade cinzenta, a metrópole fluvial que um dia começou a ser coberta de cimento e hoje já tem se convertido em um mar de rodovias de asfalto.

São Paulo, artificial.

São Paulo, trânsito.

São Paulo, plástico.

São Paulo, asfalto, poluição.

Tanto faz.

São Paulo e seu ritmo acelerado. São Paulo e o Mundo. De produção. De alienação.

De infinitos deslocamentos pela cidade, com poucas conversas e trocas de olhares.

De muitos, muitos momentos de solidão e puro consumo, de seguir padrões sociais e nada mais.

E tudo isso, faz sentido?

Que sentido faz?

E o mais importante será que devemos seguir procurando “um sentido”?

Não sei se é uma questão de “sentido”, e sim de uma mudança geral, de procurar novos caminhos, de regeneração em todos os sentidos.

Reflexões, conflitos, choques emocionais e culturais que vivemos cada dia alteram a nossa perspectiva, a nossa forma de enxergar a vida.

E em algum momento percebemos o quanto estamos afastados da nossa natureza, do nascer, crescer e se nutrir de tudo aquilo que nos dá vida.

E algum dia chega o nosso chamado, de tentar resolver essas grandes questões através da verdadeira ação social.

Nos envolvemos em vários projetos.

Nos unimos em rede.

Ideamos, criamos e prototipamos sem parar, para criar esse valor compartilhado, que cada vez mais pessoas estão buscando.

Descobrimos o grande poder escondido nas nossas próprias mãos.

Nos formamos.

Atuamos.

Form-ações para provocar esta transformação social.

E sempre procuramos um sentido, um ponto final, uma resposta certeira que nos deixe tranquilos, pensando que “achamos a solução”, para assim reiniciar a busca por novos desafios.

E neste momento percebemos que, mesmo estando em um processo de transformação, ainda estamos nele como máquinas de produção, de planejamento, de viver sem Viver, só olhando para uma meta, para alcançar um “ponto final”, sem prestar atenção ao nosso “caminhar”.

E é neste exato momento que o ciclo se inicia novamente.

Nos sentimos perdidos, totalmente deslocados, sentimos que nem este lugar da prometida transformação social é “o nosso lugar”.

Será que nunca vamos nos conformar, será que nunca vamos achar a nossa “forma de transformar”?

Queremos sempre mais.

E somos injustos ao nos julgar por não estar contentes com tudo que conseguimos (ou deixamos de) transformar.

Mas se olharmos para além dos fatos, se olharmos bem no fundo…

Tudo é Movimiento, tudo é Ação: e é isto que é a Transformação

Nessa “primeira etapa” da transformação, enxergamos coisas que amamos, descobrimos coisas que doem, muito, mas que nos fazem perceber que tudo pode mudar de rumo.

Percebemos que temos errado em muitos pontos da nossa trajetória, individual e coletiva, mas que a partir deste momento poderemos ser mais conscientes das nossas escolhas. Que temos a possibilidade de escolher, ou de pelo menos fazer as perguntas certas.

Será que estou no caminho certo?

Costumamos nos perguntar isto com frequência.

Será que estou fazendo as perguntas certas?

Passou a ser o meu ABC, o meu novo guia no percurso das descobertas.

E no fim das contas, a principal pergunta sempre volta:

“Será que aqui é o meu lugar?”

Talvez o que você esteja procurando não seja um lugar.

Talvez você nem precise de um lugar para ficar.

O que sei, e o que pode estar te incomodando, o que você talvez precise enxergar, é que o seu lugar é o caminho para a transformação, e não somente um lugar.

Se você está procurando um lugar já transformado, onde consiga se sentir à vontade, onde tudo seja perfeito, você nada vai achar.

Mas continue, sim, buscando; que seja isso o seu motivo para seguir caminhando.

Procure este lugar no seu interior, no seu espírito de pássaro que voa e transforma, na pessoa capaz de criar redes, de conectar outras pessoas, de falar para o mundo as suas verdades.

Na sua qualidade de agente da transformação social, se tem algo certo é que a Transformação é uma vivência, é uma experiência sem final.

Um caminho sem retorno.

Um estilo de vida que, às vezes -e só de forma temporária-, você poderá abandonar. Você poderá se afastar dele.

Mas que sempre fará parte de você e retornará.

Então o seu, o nosso lugar, é nenhum e todos o lugares?

Lugar não tem.

Movimento? Tem.

Dinamismo, coragem e resiliência, para saber e poder dizer que você está, a partir de pequenos toques, Transformando cada parte da sociedade, cada lar, cada grupo ou movimento do qual você pertence.

Que você está conseguindo, aos poucos, mudar o seu lugar sem se mudar de lá.

E é lá que está o seu valor, como pessoa, como profissional. Essa sua capacidade de transformar o mundo ao nível global, tocando os corações dos que estão ao seu redor.

Fazendo o que está nas suas mãos você estará fazendo o seu melhor.

Não é atrativo o suficiente?

Vem transformar com a gente!

Seja A(gente)

*Transformação: Vem do Latim transformare, “fazer mudar de forma, de aspecto”, composto por TRANS-, “através”, mais FORMARE, “dar forma”.

Naturalmente, transformação tem a mesma origem.

Mayte Santos Albardía

Jornalista e comunicadora audiovisual. Colaboradora de Planeta Futuro | El País no Brasil e responsável pela área de comunicação do Sense-Lab.

Atualmente cursa Mestrado no Programa Integração América Latina da USP e dedica o seu dia a dia a seguir conhecendo e contando histórias de vida ao redor do mundo.

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