GERANDO ONDAS DE TRANSFORMAÇÃO – Parte I: O protagonismo nas periferias


Projeto Ondas de Transformação

Ponte João Dias - uma alegoria para a separação de duas realidades sociais.

São Paulo, Brasil, cerca de 21 milhões de pessoas vivem na região metropolitana, uma conurbação urbana formada por 39 municípios. Nessa gigantesca megalópole, por volta de 2 milhões de pessoas vivem em comunidades de baixa renda, regiões geralmente formadas por ocupações ilegais, negligenciadas pelo poder público, com difícil acesso à infraestrutura disponível para o resto dos cidadãos e uma grande escassez de oportunidades. Uma São Paulo invisível para a enorme maioria dos moradores dos bairros centrais da cidade.

Enquanto a vida da maioria de nós continua fluindo de forma leve, os moradores dessas regiões abandonadas precisam se reinventar a cada dia, para sobreviver à ausência de todo tipo de recursos. Contudo, todas elas são pessoas que estão fortemente unidas pelo simples motivo de pertencerem a um mesmo lugar: o “outro lado”.

Janeiro. Dia tranquilo, quente e chuvoso, seguindo as tradições do verão. Às 14h começa a nossa aventura. Uma expedição na qual, assim que a gente se afasta do barulho da cidade, conseguimos respirar um característico ar de transformação.

Pela primeira vez vou me aproximando da periferia da zona sul de São Paulo, para conhecer uma área marcada pelo descaso, porém, também caraterizada por uma forte presença do empreendedorismo social.

Desta vez, os protagonistas não são os jovens de classe media-alta, formados em economia, administração ou engenharia, que conseguem acessar facilmente recursos, apoio e numerosos contatos, para se iniciar nas trilhas do empreendedorismo social. Hoje a gente vai se encontrar com a galera da quebrada, “do outro lado da ponte”. Um pessoal, que por ser exceção, já construiu sua rede além dos muros que isolam as suas comunidades. Hoje, são eles os verdadeiros protagonistas das atividades que geram impacto em nossa sociedade.

Visita do Sense-Lab ao time da A Banca no Jardim Ângela. Macarrão, Diel e Dj. Bola com Andreas.

No primeiro contato visual, todos os traços faciais, personalidades e idades diferenciam os jovens e adultos que nos receberam. Contudo, logo durante a nossa primeira conversa, percebemos o fator mais importante que une a todas aquelas pessoas. Todas elas são geradoras das ondas de transformação. Todas elas, decidiram levar uma vida com propósito e atravessar a ponte que, apenas por terem nascido na periferia, sempre as segregou do resto da sociedade.

André, cabelo raspado, 18 anos de idade. Criou a TV Doc Capão, a TV da inclusão, para contar a realidade do seu bairro a partir da visão de quem mora na região.

Buiú, faz pouco tempo que começou acreditar no seu potencial, mas hoje já defende com força através do Projeto Viela o direito que as crianças tem de “aprender brincando”.

Dj Bola, tem 35 anos de idade e um longo percurso na área de empreendedorismo de base comunitária. A Banca, sua produtora cultural social, promove a inclusão através da música e a cultura do Hip Hop.

E também a Dona Êda, diretora do Cieja Campo Limpo, a “escola de todo mundo” onde o único requisito para entrar é querer aprender. Prestes a se aposentar, ela é considerada a madrinha de muitos deles, daqueles que decidiram dar um passo para frente e investir nos próprios sonhos e nos de suas comunidades.

Buiu do Projeto Viela, recebendo a Mayte e o Andreas do Sense-Lab para um café.

Se olharmos com atenção para as regiões invisíveis da cidade, para as nossas periferias ignoradas, vemos mais e mais exemplos de pessoas que decidiram enfrentar a adversidade e gerar ondas de transformação. Se alguns guerreiros decidiram trabalhar pelo bem comum e mudar a realidade a seu redor para melhor, a pergunta que surge é o que faz esses protagonistas despertarem: Quem são essas pessoas? O que os motiva a lutar? Quem fomentou o seu espirito inovador? E o que podemos fazer para despertar mais empreendedores sociais em regiões periféricas?

Não temos as respostas. O caminho é seguir procurando pistas, que consigam responder às nossas maiores questões. E continuar analisando os possíveis modos de vida que podem ser escolhidos nos diferentes caminhos que iremos descobrindo.

Co-criação, experimentação, planejamento e prototipagem. Criar fluxos, facilitar trocas e conversas. Utilizar ferramentas que estão -sim- ao nosso alcance, para construir a partir de cada comunidade, dentro das nossas possibilidades, uma sociedade mais sustentável e equilibrada, não importa o lugar do qual cada pessoa olhe para ela.

E seguir propagando as ondas de transformação, levando as vibrações que há anos estão surgindo nesta "nova" periferia, para outras áreas esquecidas, para outros lares necessitados que, mesmo sem fazer parte do “outro lado da ponte”, também ficam “do outro lado”. Do outro lado do muro. Do outro lado do asfalto. Infelizmente, sempre do outro lado.

Fábrica de Criatividade - Pretenção de ser um polo de inovação e desenvolvimento em pleno Capão Redondo.

Convidamos vocês a conhecerem a fundo essas e outras histórias inspiradoras de protagonistas sociais e a entenderem os processos, a procurarem pontos em comum, acompanharem situações, vidas e aspirações. A conhecerem desejos e sonhos que, aos poucos, vão se convertendo em realidade. E também a replicarem em outros lugares esses maravilhosos exemplos de empreendedorismo social que iremos conhecer nesse projeto que se inicia e que batizamos de acordo com o seu propósito: Ondas de Transformação. Este é o início de uma história, na verdade de muitas histórias, que vamos contar para vocês aqui nos próximos meses.

Mayte Santos Albardía

Jornalista e comunicadora audiovisual, colaboradora do El País no Brasil e responsável pela área de comunicação do Sense-Lab.

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