Gerando Ondas de Transformação – Parte III: Uma tarde de eventos com André Luiz


Projeto Ondas de Transformação

O dia 23 de novembro foi agitado na Fábrica de Criatividade, no Capão Redondo...sabe por quê? O André Luiz, da TV Doc Capão explica: “aconteceu uma mistura de três eventos, até para otimizar recursos, então fizemos tudo numa tacada só”. Ao longo de uma tarde inteira, 150 pessoas se divertiram com as diversas atividades que rolaram durante o lançamento do programa da TV Doc, o Doc Show – que é um dos coletivos que está dentro da Fábrica de Criatividade –, a amostra cultural e o encerramento anual do TV DOC Inclui.

O evento contou com o apoio da OXFAM Brasil e começou com o Doc Show, tipo de um programa de plateia, independente, para o público jovem. “Estamos inovando mais uma vez e a ideia é fazer o Doc Show mensalmente, possibilitar essa interação, como um talk show que a gente vê na televisão, mas a diferença é que somos nós, pretos periféricos, fazendo”, explica André. Para animar a galera, a banda Rock de Marte mandava a ver no som nos intervalos.

Na estreia do Doc Show convidados mais do que especiais subiram ao palco para contar suas histórias, dividir experiências e inspirar jovens que vieram do Jd. Ângela, Paraisópolis, Sapopemba e do próprio Capão. Quando André anunciou a primeira entrevistada, a reação foi unânime – a plateia ovacionou Eda Luiz, diretora do CIEJA Campo Limpo, que é ícone na comunidade. Referência na educação inclusiva, a figura carismática de dona Eda e suas histórias são fonte de energia para a transformação social. “Quem disse que não dá”, é uma das frases de dona Eda que não se contenta com um não e adora desafiar regras. O programa deu sequência com a participação do Johnny, da Liga Solidária, contando sua experiência no terceiro setor; Edson Leite, do Gastronomia Periférica, que falou um pouco sobre a gastronomia periférica como instrumento de mudança e oportunidades; Paulo Gomes, do NADI, reforçando o potencial dos jovens que estão no extremo e feliz com o projeto CJC (Centro Jovem de Comunicação); e a Raquel e Gabriel do Ação Educativa, que fazem um trabalho de dar voz à juventude, já que o estatuto da juventude (2013) não é colocado em prática.

“Nada é tão contagioso quanto o exemplo”

A frase do escritor francês François de La Rouchefoucauld não poderia resumir melhor o propósito do André quando convidou o Bruno Capão, do Atelier Sustenta CaPÃO, o professor Billy, do Cieja Campo Limpo e o Tony Marlon, que foi fundador do Escola de Notícias, para um bate-papo com os jovens.

Quero sempre trazer referências positivas que estão dentro do próprio território. É importante a molecada ter acesso a esses exemplos. Graças ao acesso que eu tive a essas pessoas eu consegui transformar a minha vida e, a partir disso, eu estou tentando ajudar a galera a encontrar o seu caminho também

A tarde foi longa, mais de cinco horas de entretenimento que, na verdade, poderiam durar muito mais. Para o idealizador do Doc Show, “reunir toda essa galera só reforça como é importante trabalhar em rede, o que possibilita que eventos e processos como esse aconteçam. A gente acredita muito na perspectiva de trabalhar em conjunto”.

Para encerrar o dia, o grupo Extremo-X invadiu o palco e colocou o pessoal para mexer o esqueleto. Uma apresentação de street dance também mostrou como a dança pode transformar vidas.

Mas, depois de saber de tudo isso, você deve estar se perguntando “como o TV Doc surgiu?”, “como o André fez tudo isso e chegou até aqui?”. Pois é, tudo o que aconteceu nesse dia foi resultado de muito trabalho e de uma bela história. Na receita de sucesso do André, ele precisou de ingredientes fundamentais como superação, foco, persistência, resiliência, colaboração e parceria, amor, oportunidade e vontade de fazer a diferença.

André é genuíno do Capão Redondo e batalhou (e batalha) muito para dar vida ao seu primeiro projeto, o TV Doc Capão, mídia independente para comunidade, feita por e com atores periféricos. Ainda muito novo, experimentou o pior da vida e, depois ver a morte bem de perto, respirou fundo, ergueu a cabeça e agarrou a oportunidade que uma professora de matemática lhe ofereceu – dirigir o programa de rádio da escola. Bastou uma chance e demonstração de confiança e credibilidade por parte da professora para André recuperar a autoestima, honrar o compromisso e descobrir um grande talento e paixão.

De projeto escolar para o Brasil todo!

Quando o projeto de rádio da escola chegou ao fim, André resolveu pensar no seu próprio programa de televisão e criou a TV Doc Capão, em 2012, com o ideal de dar voz à comunidade, tornando-a protagonista da narração de suas histórias. Com a ajuda de amigos e um pouco de improviso, ele montou um estúdio no próprio quarto e, de lá, aos poucos, tudo começou a ganhar forma e ser visto não só pela comunidade, como por todo o Brasil...

Em 2013, surgiu mais uma oportunidade – foi aprovado pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais, da prefeitura de São Paulo. Foi assim que acabou cruzando o caminho de Fernando Haddad, prefeito na época, e de outras figuras públicas como ex-senador Eduardo Suplicy. E, claro, os abordou para uma entrevista sem ter nada planejado. Foi com a mesma espontaneidade (e muita coragem...ou seria cara de pau mesmo?!!) que André encarou a ex-presidente Dilma Rousseff, durante um encontro de jovens empreendedores do País. O garoto que saiu do Capão Redondo e chegou até Brasília não perdeu tempo – agarrou a chance e, sem titubear, saiu do lugar onde estava sentado e se aproximou de Dilma para fazer um convite – visitar a juventude do Campo Limpo/Capão Redondo. Olhando bem para a câmera do André, Dilma Roussef disse “grava aí para nós, eu vou lá no Campo Limpo”. Ela nunca apareceu, mas a entrevista foi exibida em um dos programas da TV Doc chamado Correndo Atrás de Quem Manda. Como diz André, “a juventude vai mudar esse país” e é por isso que ele nunca desiste, mesmo levando um cano de uma presidente da República! Hoje, com 21 anos e cursando comunicação, André fecha 2017 lançando o seu mais novo projeto – o Doc Show, um programa de plateia que conta as histórias pela perspectiva da própria periferia. Se com 21 anos ele já fez tudo isso, imagina o que vem por aí!

Para 2018...

“Espero que a TV DOC e a Associação Fábrica de Criatividade deem um passo ainda maior. Quero aprender com outros espaços, como o próprio Sense-Lab, e estar junto dessa galera que transforma e faz as coisas acontecerem” – André, TV Doc Capão.

Maria Carolina

A graduação em jornalismo rendeu uma estreia e tanto para Carol, que depois de formada conseguiu um estágio na sucursal da TV Globo de Londres. De volta ao Brasil, fez uma longa carreira na editora Abril, onde teve a oportunidade de trabalhar em diversas revistas, como Veja, Claudia, Bons Fluidos, Men’s Health, Estilo, Nova, Boa Forma entre outras. Mas foi sua paixão por pessoas e pela África que a levou a fazer pós-graduação em Gestão Social e especialização no Continente Africano, além de mergulhar nesse mundo através de voluntariados e viagens nada convencionais, como uma temporada na Libéria, por exemplo. O espírito livre, aventureiro e curioso levou Carol a explorar o mundo, outra grande paixão - viagens e diferentes culturas. Depois de passar por uma multinacional cuidando de projetos sociais, no Brasil e em Dubai, ela optou por focar toda a experiência profissional e multicultural, sua energia, paixão pelo próximo e gratidão pela vida, em negócios que façam a diferença nas diversas questões socioambientais que enfrentamos mundo afora.

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