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Intervenções Catalíticas: o papel das iniciativas "one shot" no desenvolvimento de ecossistemas

Atualizado: há 7 minutos

Por Andreas Ufer


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Introdução


Nos últimos meses, o Sense-Lab vem conduzindo um amplo estudo sobre iniciativas multiatores voltadas ao desenvolvimento de ecossistemas sociais, com foco em compreender como diferentes arranjos colaborativos criam condições duradouras e estruturantes para transformação sistêmica — como é o caso de iniciativas de longa duração, a exemplo da Coalizão pelo Impacto, Movimento Viva Água (MVA), Uma Concertação pela Amazônia e Alianza del Pastizal.


Mas, ao longo dos anos, o Sense-Lab também tem implementado e observado o surgimento de um conjunto diverso de iniciativas catalíticas “one shot” — processos de curta duração e intensivos, desenhadas para ativar redes, desenvolver capacidades e testar novas formas de colaboração. O objetivo deste artigo é tipificar e refletir sobre a função dessas iniciativas catalíticas dentro de um portfólio mais amplo de abordagens para o desenvolvimento de ecossistemas sociais.


Entre essas iniciativas podemos considerar processos como o Lab Guanabara (que deu origem ao Movimento Viva Água Guanabara e, posteriormente, ao MVA Nacional), a Aceleradora Oásis, o Programa de Aceleração de UCs (ICLEI), o Lab Amazônia, o Lab de Finanças Sociais e mais recentemente Rodada de Grantmaking GIFE 2025, a Jornada IA para Impacto, ainda em andamento.


Porque falar em Iniciativas Catalíticas


Iniciativas “one shot” surgem da constatação de que nem todo processo de desenvolvimento de ecossistema exige permanência institucional. Em muitos contextos, uma intervenção curta, mas bem desenhada, pode gerar efeitos estruturantes — desde que ative as alavancas certas: novas relações, práticas, capacidades, regras ou narrativas compartilhadas.


Inspiradas em abordagens como os Social Labs [1] ou a Teoria U [2], essas iniciativas funcionam como experimentos coletivos em condições reais, onde múltiplos atores testam hipóteses e geram aprendizados em ciclos rápidos, ao invés de depender de planejamentos longos e lineares.


O termo “catalítico” traduz bem essa função: acelerar processos sistêmicos, disparar novas conexões e criar estruturas mínimas viáveis para que a mudança continue acontecendo mesmo após o encerramento formal da intervenção. Essas iniciativas têm como características:


  • Velocidade na Inovação Colaborativa: reunião de diversos atores para gerar entendimento e desenvolver soluções a partir da inteligência coletiva;

  • Criação de Infraestrutura Relacional: redução de custos de transação ao criar conexão, confiança e linguagem comum entre atores;

  • Replicabilidade: instalação de capacidades e frameworks replicáveis que podem ser adotados por outros atores ou coalizões maiores;

  • Construção de Legado: quando bem desenhadas, geração de artefatos de legado (planos de ação, matrizes de maturidade, modelos de governança, playbooks) que permanecem úteis além de ciclos mais longos;

  • Sinergia e Complementaridade com Iniciativas Estruturantes: não pretendem substituir a função de estruturas permanentes, mas alimentá-las e conectá-las.


Histórico e casos de Iniciativas Catalíticas


Ao longo das últimas décadas, a resposta a questões socioambientais passou de ações pontuais para arquiteturas colaborativas. Nesse percurso, emergem dois grupos complementares de intervenções em ecossistemas sociais. As iniciativas catalíticas são ciclos intensivos e temporários que ativam relações, práticas e capacidades — acendendo a “faísca” do ecossistema. As iniciativas estruturantes constroem sua “infraestrutura”: governança, financiamento, dados e rotinas que sustentam a colaboração no tempo. Para a construção de ecossistemas resilientes, capazes de endereçar os grandes desafios dos nossos tempos,  pode se dar, cada vez mais, a arte de combinar essas duas lógicas.


Entre os anos 2010 e 2020, os formatos catalíticos ganharam visibilidade e uma ampla plataforma de experimentação, com labs de inovação, sprints e jornadas. Casos como o Lab Guanabara (que gerou o MVA Guanabara e ajudou a fundar o MVA Nacional) mostram como protótipos e alianças podem virar plataformas duradouras. A Aceleradora Oásis instalou vocabulário comum e planos de ação para projetos de PSA/SbN em diversos municípios; o Lab Amazônia priorizou soluções logísticas e comerciais para a sociobiodiversidade e conectou atores para pilotos; e o Lab de Finanças Sociais testou mecanismos, gerando resultados estruturantes através de projetos como o FIIMP, colaboração entre diversos institutos e fundações para experimentar com investimento de impacto. No setor público, o Programa de Aceleração de UCs (ICLEI + Sense-Lab) demonstrou como trilhas de construção de capacidades e redes de gestores podem criar condições institucionais para desenvolvimento, troca e adoção de boas práticas. Já encontros e jornadas de aprendizagem — como a Rodada de Grantmaking GIFE 2025 e a Jornada IA para Impacto (em andamento) — qualificam práticas, alinham linguagem e abrem novas frentes de colaboração.


Em paralelo, amadureceram as iniciativas estruturantes, que fornecem a espinha dorsal para colaboração contínua e formação de ecossistemas resilientes. Exemplos como o Movimento Viva Água (governança multiescalar, fundos e conselhos territoriais), a Coalizão pelo Impacto e o Cidades +B evidenciam o papel dessas plataformas em consolidar regras, métricas e rotinas, ancoradas em políticas públicas, instrumentos financeiros e fluxos de informação.

Iniciativas estruturantes e catalíticas em comparação.

A partir de 2020, crises sobrepostas e a aceleração tecnológica reforçaram a lógica de portfólio híbrido. Ao invés de escolher entre iniciativas catalíticas ou estruturantes para desenvolvimento de ecossistemas sociais, estratégias eficazes sequenciam e combinam ambas: um sprint de descoberta alimenta um lab de prototipagem; que, por sua vez, demanda uma aceleração de redes; que se integra a uma plataforma estruturante com governança e financiamento. Encontros periódicos mantêm o pulso da aprendizagem coletiva, enquanto jornadas temáticas (como a de IA para Impacto) atualizam repertórios e abrem novas avenidas para políticas públicas e investimento.


A principal lição dessa evolução é de design estratégico: usar iniciativas catalíticas para gerar movimento (relações, práticas, capacidades, recursos, narrativas) e as estruturantes para reter e amplificar esse movimento no tempo. Quando bem combinadas, as duas abordagens convertem energia de curto prazo em capacidades, regras e ativos compartilhados — e é isso que transforma iniciativas isoladas em ecossistemas vivos, com velocidade para responder a crises e perenidade para produzir mudanças sistêmicas.


Como o foco desse artigo é explorar as iniciativas catalíticas, descrevemos brevemente abaixo alguns exemplos que foram implementadas na última década.


Lab Guanabara: Laboratório de inovação social aplicado à Baía de Guanabara que gerou portfólio de projetos e arranjos de governança para soluções baseadas na natureza; virou o Movimento Viva Água Guanabara e, junto ao MVA Miringuava, fundamentou o MVA Nacional com arquitetura de conselhos e expansão para outros mananciais.


Aceleradora Oásis: Programa intensivo de aceleração de redes (FGB + Sense-Lab) que combinou diagnóstico de maturidade, mentorias e trocas entre pares para projetos de PSA/SbN, deixando planos de ação, repertório comum e uma comunidade de prática ativa.


Programa de Aceleração de UCs (ICLEI + Sense-Lab): Aceleração institucional voltada a gestores públicos de unidades de conservação, com trilha de capacidades, governança e instrumentos de implementação; resultou em metodologia replicável e rede de gestores multiplicadores.


Lab Amazônia: Lab de prototipagem desenvolvido pelo Idesam em parceria com a Climate Ventures, focado em logística e comercialização da sociobiodiversidade, que priorizou soluções (rotas logísticas colaborativas, centros de distribuição, plataformas, branding e acesso a mercado) e estruturou parcerias para pilotos e escala.


Lab de Finanças Sociais: Jornada de inovação implementada pelo ICE, Força Tarefa de Finanças Sociais e Aoka Labs, que aproximou filantropia, investidores e governo para testar mecanismos financeiros de impacto, gerando outcomes estruturantes como o FIIMP, trilhas de aceleração e plataformas de conexão com negócios de impacto.


Rodada de Grantmaking GIFE 2025 (em andamento): reunião catalisadora para qualificar práticas de doação nos diferentes perfis de financiadores (empresas, fundações empresariais, familiares e independentes), pactuando critérios, fluxos e métricas de aprendizagem do campo.


Jornada IA para Impacto (em andamento): Jornada de aprendizagem ecossistêmica que conecta OSCs, academia, tech e financiadores para uso responsável de IA no impacto socioambiental, validando barreiras e alavancas para avançar com o campo e desenvolvendo ideias iniciais de protótipos para iniciativas colaborativas.


Tipos de iniciativas catalíticas


Intervenções catalíticas são processos intensivos e temporários que instalam capacidades, relações e estruturas mínimas viáveis para que o ecossistema prossiga evoluindo após o ciclo.


Com base no estudo de diferentes casos, foram identificadas pelo menos seis categorias com objetivo, mecanismos, alavancas, legado e exemplos.

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Reuniões Catalisadoras — Encontros intensivos que reúnem atores para alinhar propósito e pactuar próximos passos, deixando princípios, critérios e guardiões (ex.: Rodada de Grantmaking GIFE 2025).


Sprints de Descoberta — Ciclos curtos de diagnóstico que mapeiam atores, gargalos e alavancas, gerando um portfólio de oportunidades e agenda de experimentos (ex.: Aliança pelo Impacto; Jornada IA para Impacto – fase discovery).


Labs de Prototipagem — Jornadas de cocriação que testam soluções em pilotos rápidos, produzindo one-pagers, plano de pilotos e evidências para escala (ex.: Lab Amazônia; Lab Guanabara; Lab de Finanças Sociais).


Jornadas de Aprendizagem — Trilhas formativas com estudos de caso e mentoria leve para instalar capacidades, padrões mínimos e uma comunidade de prática ativa (ex.: Jornada IA para Impacto).


Aceleração de Redes — Programas que fortalecem governança e capacidades de coletivos/esferas públicas por meio de matriz de maturidade, oficinas e pactos de ação, deixando planos e cadências pós-programa (ex.: Aceleradora Oásis; Programa de Aceleração de UCs – ICLEI).


Plataformas de Ação — Arranjos de orquestração contínua que conectam múltiplos atores, organizam portfólios e pactos de coexecução, e preparam trilhas para políticas/escala (ex.: Collaborative Action Platform – BMW Foundation / Sense-Lab).


As diferentes estratégias podem ser combinadas em sequências (ex.: sprint de descoberta - lab de prototipagem - aceleração de redes) compondo um portfólio adaptado ao estágio e às lacunas de cada ecossistema.

Tipo

Duração

Propósito central

Exemplo

Reuniões Catalisadoras

2 a 3 meses

Reunir atores e criar visão comum

Rodada de Grantmaking GIFE 2025

Sprints de Descoberta

3 a 6 meses

Mapear o sistema e identificar alavancas

Etapas de construção de alavancas da Aliança pelo Impacto, Jornada IA pelo Impacto 

Labs de Prototipagem

6 a 12 meses

Cocriação e teste de soluções

Lab Amazônia / Lab Guanabara / Lab de Finanças Sociais

Jornadas de Aprendizagem 

4 a 6 meses

Construir capacidades e repertórios

Jornada IA para Impacto

Aceleração de Redes

6 a 9 meses

Fortalecer governança e capacidades de coletivos ou de esferas públicas

Aceleradora Oásis, Programa de Aceleração de UCs (ICLEI)

Plataformas de Ação

12 a 24 meses

Conectar e orquestrar múltiplos atores

Collaborative Action Platform (BMW Foundation / Sense-Lab)

Alavancas das intervenções catalíticas para desenvolvimento de ecossistemas


Cada tipo de intervenção catalítica atua sobre alavancas distintas do ecossistema, isto é, sobre diferentes pontos capazes de gerar movimento e transformação em um sistema social complexo.


Algumas operam prioritariamente sobre relações, promovendo conexões inéditas, confiança e senso de pertencimento entre atores — caso típico das Reuniões Catalisadoras ou das Acelerações de Redes. Outras focam em práticas e capacidades, construindo repertórios e métodos que passam a ser incorporados no cotidiano dos participantes, como nas jornadas de aprendizagem ecossistêmica. Há também as que ativam recursos e fluxos de colaboração — financeiros, técnicos ou institucionais — ou as que transformam narrativas e estruturas cognitivas, redefinindo como os atores percebem o problema e sua própria agência no ecossistema.


Em comum, todas as iniciativas compartilham uma lógica de aprendizado rápido e efeito multiplicador: buscam gerar mudanças perceptíveis em curto prazo que criem novas condições de possibilidade para a cooperação e a inovação sistêmica. Assim, ainda que pontuais, geram resultados no curto prazo que tendem a se expandir por meio da apropriação, replicação e adaptação de práticas, relações e visões pelos próprios atores do ecossistema.


1. Relações: foco em conectar atores, construir confiança e fomentar pertencimento. Essas iniciativas fortalecem a infraestrutura relacional que sustenta a colaboração, criando canais de diálogo e redes de apoio mútuo. Reuniões catalisadoras, acelerações de redes e jornadas de aprendizagem frequentemente operam nessa dimensão, consolidando vínculos e aumentando a densidade de interações.


2. Práticas: foco em introduzir e consolidar formas de trabalho colaborativo. Labs de prototipagem e jornadas de aprendizagem ecossistêmica atuam sobre as práticas ao promover metodologias de design, prototipagem, gestão compartilhada e tomada de decisão participativa. O resultado é um novo repertório de práticas coletivas que pode ser replicado e adaptado em novos contextos.


3. Capacidades: foco em desenvolver competências individuais e institucionais. Acelerações de redes e programas voltados ao setor público, como o de Unidades de Conservação (ICLEI + Sense-Lab), fortalecem a capacidade técnica, analítica e política de atuação conjunta. A formação de lideranças e equipes aptas a operar em contextos complexos é um dos principais legados dessas intervenções.


4. Recursos: foco em ativar fluxos de apoio e mecanismos de sustentabilidade. Essas alavancas dizem respeito não apenas a recursos financeiros, mas também a tempo, infraestrutura e capital humano. Plataformas catalisadoras de ação, por exemplo, articulam diferentes fontes de investimento e apoio técnico, gerando novos arranjos de cofinanciamento e parcerias interinstitucionais.


5. Narrativas: foco em redefinir a forma como o sistema entende a si mesmo e seus desafios. Reuniões, sprints de descoberta e plataformas de ação trabalham essa dimensão ao criar linguagem comum, propósito compartilhado e histórias mobilizadoras. A narrativa atua como uma força organizadora que dá coesão e sentido às ações dispersas dos atores do ecossistema.


Cada uma dessas alavancas atua em níveis distintos — relacional, técnico, simbólico, estrutural — mas todas compartilham a lógica de aprendizado rápido e efeito multiplicador. O valor de uma intervenção catalítica não está apenas em seus resultados imediatos, mas na capacidade de gerar movimento: disseminar novas práticas, relações e significados que o próprio ecossistema passa a cultivar e expandir.


Resultados das Iniciativas Catalíticas


Os resultados a seguir ilustram repercussões positivas geradas por iniciativas catalíticas “one shot”: em vez de apenas produzir eventos ou relatórios, essas intervenções deixaram infraestruturas de colaboração que seguem operando no tempo — fundos e mecanismos financeiros (como o FIIMP – Fundo de Inovação em Impacto), trilhas e programas permanentes (ex.: aceleração específica para impacto), plataformas de match entre demanda e oferta, portfólios de projetos com protocolos replicáveis, e arquiteturas de governança que conectam territórios e atores (caso do Movimento Viva Água). Em comum, todos convertem um sprint de mobilização em capacidades, regras e ativos compartilhados, ampliando a escala e a perenidade do ecossistema.


  • FIIMP – Fundo de Inovação em Impacto: criação de um fundo coletivo (22 organizações) que aportou ~R$ 700 mil para testes de instrumentos financeiros e desenvolvimento do campo de finanças sociais; o processo também estruturou governança compartilhada e chamadas públicas temáticas.


  • InovAtiva de Impacto: desenho e lançamento de uma trilha de aceleração específica para negócios de impacto, como desdobramento direto das agendas do Lab de Inovação em Finanças Sociais.


  • Empáctico: concepção de uma plataforma/marketplace para conectar demandas de grandes organizações com negócios de impacto — infraestrutura digital de match que permaneceu após o ciclo do lab.


  • Lab Guanabara - Inovação em Adaptação Climática através de Soluções Baseadas na Natureza (SbN: geração de 7 projetos integrados envolvendo 37 organizações, incluindo a criação do Fundo Baía de Guanabara para SbN (mecanismo financeiro perene).

  • Projetos aplicados com efeito estruturante (Guanabara): Produzir para Conservar (rede de unidades demonstrativas e práticas produtivas de base florestal) e Florestar em Pé de Serra (base técnica e arranjos para restauração), que deixam capacidade instalada e protocolos replicáveis no território.

  • Movimento Viva Água: o lab territorial Oásis Lab Baía de Guanabara, com 84 organizações, serviu de base para a governança MVA e seu framework nacional, orientado a ampliar para 6 mananciais críticos com arquitetura de conselhos e coordenações regionais — uma plataforma de coordenação que segue operando além do ciclo do lab.

Esses resultados têm algo em comum: instituem mecanismos, capacidades, governanças e ferramentas que permanecem (fundos, plataformas, trilhas, metodologias e conselhos), criando infraestrutura de colaboração que segue produzindo valor após o “one shot”.


Enquanto as iniciativas estruturantes (como Coalizão pelo Impacto, Cidades +B ou MVA) constroem infraestruturas de longo prazo — secretarias executivas, fundos, conselhos, indicadores —, as iniciativas catalíticas funcionam como módulos de ativação, capazes de:

  • testar rapidamente novas abordagens antes de escalá-las;

  • aproximar atores e reduzir barreiras de colaboração;

  • produzir insumos e modelos para iniciativas mais robustas;

  • manter a inovação viva dentro de ecossistemas já institucionalizados.

Embora curtas, essas iniciativas podem preparar o terreno para arranjos mais duradouros. O caso do Lab Guanabara é exemplar: o laboratório, originalmente concebido como uma experiência de inovação social, deu origem ao Movimento Viva Água Guanabara, que, junto com o MVA Miringuava, estruturou a base metodológica para o Movimento Viva Água Nacional — hoje uma coalizão madura com governança e fundo próprios. E a Aceleradora Oásis, ao apoiar coletivos e redes locais, produziu matrizes, kits e processos de aprendizagem que vêm sendo reutilizados em novas frentes da Fundação Grupo Boticário e parceiros territoriais.


Em um portfólio equilibrado de desenvolvimento de ecossistemas, ambas as abordagens, catalítica e estruturante, podem ter funções efetivas: as catalíticas garantem adaptabilidade, experimentação e aprendizado contínuo, já as estruturantes dão perenidade as intervenções.


Desafios e aprendizados


Os principais desafios dessas iniciativas incluem:

  • risco de superficialidade (gerar eventos e encontros sem continuidade ou consequência);

  • assimetria de engajamento entre atores (desequilíbrio de poder);

  • ausência de mecanismos de legado.

Superar esses riscos requer intencionalidade: planejar o pós-programa, criar guardadores de conhecimento e vincular a intervenção a ciclos ou instituições-mãe que possam dar continuidade.

Conclusão


As iniciativas catalíticas são parte potente da engenharia de desenvolvimento de ecossistemas. Elas são antena e impulsionadora: captam movimentos emergentes, testam novas formas de cooperação e, muitas vezes, inauguram campos inteiros de atuação.


Em um mundo no qual complexidade exige tanto estabilidade quanto flexibilidade, a combinação entre iniciativas estruturantes e catalíticas é o que permite que os ecossistemas evoluam de forma viva, aprendente e colaborativa.


Este artigo é parte do 𝙀𝙨𝙩𝙪𝙙𝙤 𝙙𝙚 𝙄𝙣𝙞𝙘𝙞𝙖𝙩𝙞𝙫𝙖𝙨 𝙈𝙪𝙡𝙩𝙞𝙖𝙩𝙤𝙧𝙚𝙨 𝙥𝙖𝙧𝙖 𝙤 𝘿𝙚𝙨𝙚𝙣𝙫𝙤𝙡𝙫𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙙𝙚 𝙀𝙘𝙤𝙨𝙨𝙞𝙨𝙩𝙚𝙢𝙖𝙨 𝙙𝙚 𝙄𝙢𝙥𝙖𝙘𝙩𝙤, focado nos conhecimentos e experiências relacionados a processos colaborativos. Suas descobertas se consolidam de três formas: 1ª. episódios de podcast (T1); 2ª. artigos; 3ª. publicação integral a respeito do tema reunindo tanto o mapeamento de redes, coalizões e arranjos multiatores voltados ao desenvolvimento de ecossistemas quanto o entendimento profundo sobre as pessoas e organizações que, atualmente, potencializam a solução de problemas de interesse coletivo .

Imagem com as logomarcas dos parceiros financiadores do estudo colaborativo. São eles: Instituto Arapyaú, ICE, Instituto Sabin, Fundação Grupo Boticário e Fundo Vale.

Atores do ecossistema de impacto socioambiental positivo no Brasil que apoiam a iniciativa.


Referências bibliográficas


[1] Hassan, Z. (2014). Social Labs Revolution: A New Approach to Solving Our Most Complex Challenges. San Francisco: Berrett-Koehler Publishers.


[2] Scharmer, O. C. (2009). Theory U: Leading from the Future as It Emerges. San Francisco: Berrett-Koehler Publishers.


​​[3] Ufer, A. (2019). Laboratórios de inovação social — um caso prático na Baía de Guanabara. In: Soluções Baseadas na Natureza e os Desafios da Água (cap. 5.3). Klabin–Iniciativa (org.). pp. 154–161.


[4] Sense-Lab. (2024–2025). Estudo sobre Iniciativas Multiatores para Desenvolvimento de Ecossistemas (documento em construção).


[5] Fundação Grupo Boticário, BMW Foundation, ICLEI & Sense-Lab. (2023–2025). Relatórios e materiais de projetos: Aceleradora Oásis, Collaborative Action Platform, Programa de Aceleração de UCs e Movimento Viva Água.













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