top of page

Publicações  |  Biblioteca e Recursos

Redes territoriais e economia sustentável no Pará: o caso da Transamazônica e do Sudeste Paraense

30 de set.
30 min de leitura


Introdução

O Pará concentra, ao mesmo tempo, as maiores pressões e algumas das maiores oportunidades da Amazônia brasileira. É o estado que mais desmatou nas últimas décadas e também o que se lançou, a partir de 2020, a uma das agendas subnacionais mais ambiciosas de clima, restauração e bioeconomia do país. Entre uma coisa e outra, está o território: municípios, cooperativas, sindicatos, secretarias, povos indígenas, agricultores familiares e empresas que precisam fazer as políticas funcionarem na prática.


Este artigo parte de uma pergunta simples: o que faz uma política ambiental ou econômica chegar a fazer a diferença no território? A hipótese defendida aqui é que redes territoriais multissetoriais são uma das peças que faltavam. Elas organizam prioridades, reduzem a sobreposição de projetos, ligam municípios ao Estado e à União e dão escala a soluções que hoje estão dispersas.


A análise combina fontes públicas de referência com a experiência de duas redes estruturadas pela TNC com facilitação metodológica do Sense-Lab: a Rede de Governança da Transamazônica e Xingu (RGTX) e a Rede de Governança do Sudeste do Pará. O texto percorre o contexto socioambiental do estado, seu histórico e sua estratégia atual; as vocações econômicas e as cadeias que podem sustentar outro modelo de desenvolvimento; o funcionamento das redes; e, por fim, os caminhos para que a região se torne uma referência internacional em economia sustentável e de impacto.




1. O Pará em contexto: floresta, gente e pressão

O Pará é, simultaneamente, o maior foco de desmatamento da Amazônia e o maior produtor brasileiro de açaí e cacau. Com cerca de 1,25 milhão de km², 144 municípios e pouco mais de 8 milhões de habitantes (Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE), o estado reúne florestas contínuas, grandes bacias (Tapajós, Xingu, Tocantins-Araguaia), terras indígenas, unidades de conservação, assentamentos e frentes agropecuárias e minerais.


Pressão real e concentrada: Entre 2019 e 2025, o Pará foi o estado que mais perdeu vegetação nativa no Brasil, com mais de 2 milhões de hectares [1]. No ano-base 2025 do Prodes, sistema de monitoramento do desmatamento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que vai de agosto de 2024 a julho de 2025, o estado respondeu por 2.098 km², ou 36% de todo o desmatamento da Amazônia Legal [2]. A expansão agropecuária explica praticamente toda a perda de vegetação no país, e o garimpo ilegal tem no Pará seu principal foco amazônico.


Degradação como novo desafio: Além do corte raso, o fogo e a exploração madeireira predatória avançaram: na temporada 2024–2025. O Pará concentrou a maior parte da área degradada da Amazônia, em um ano de seca extrema e incêndios recordes.


Múltiplas economias convivendo no estado: O estado tem o segundo maior rebanho bovino do país, com 25,6 milhões de cabeças, e abriga o município com o maior rebanho do Brasil, São Félix do Xingu, com 2,5 milhões [3]. A mineração em Carajás e as hidrelétricas, como Belo Monte, completam um modelo historicamente baseado em commodities e grandes obras. Ao mesmo tempo, o Pará lidera a produção nacional de açaí (93%), dendê, cupuaçu, mandioca e cacau [4].


Tecido social diverso e vulnerável: Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares convivem com conflitos fundiários, violência no campo, baixa cobertura de assistência técnica e indicadores sociais abaixo da média nacional. Esse é o pano de fundo em que qualquer estratégia de conservação ou de nova economia precisa operar.


2. Histórico: da fronteira de expansão à agenda de transição

A trajetória recente do Pará pode ser lida em quatro ciclos, cada um deixando marcas no território e nas instituições.


Linha do tempo: quatro ciclos da ocupação e da política ambiental no Pará


Cada ciclo deixou instituições e conflitos que ainda moldam o território. Os parágrafos a seguir detalham cada um deles.


Integração e grandes projetos (anos 1970–1990): A abertura da BR-230, a Transamazônica, dentro do Programa de Integração Nacional, trouxe colonos de todo o país a lotes ao longo da rodovia, em municípios como Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará. No sudeste, Carajás, Tucuruí e a expansão da pecuária consolidaram uma economia de enclave e de fronteira. O resultado foi uma ocupação rápida, com pouca regularização fundiária e muitos conflitos.


Fronteira do desmatamento e da violência (anos 1990–2000). Grilagem, madeira ilegal e pecuária extensiva fizeram de São Félix do Xingu, Altamira, Anapu e Novo Progresso os epicentros do desmatamento. O assassinato da missionária Dorothy Stang em Anapu, em 2005, tornou visível a violência fundiária. Em resposta, surgiram o mosaico da Terra do Meio, novas unidades de conservação e o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), lançado pelo governo federal em 2004, que reduziu fortemente o desmatamento até 2012.


Comando e controle com incentivos (2008–2018): A lista federal de municípios prioritários, com restrição de crédito, levou Paragominas a criar o modelo "Município Verde", ampliado pelo estado no Programa Municípios Verdes (2011). O Código Florestal de 2012 e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ganharam escala; a TNC apoiou o cadastro em São Félix do Xingu e lançou, em 2012, o projeto Cacau Mais Sustentável, origem do Cacau Floresta, que já envolveu mais de 600 famílias e implantou mais de 2.000 hectares de sistemas agroflorestais (SAF) com cacau em oito municípios das duas regiões [5]. No mesmo período, a construção de Belo Monte (2011–2019) transformou a região de Altamira e deixou um passivo social e compensações que ainda estruturam a governança local.


Retrocesso e reconstrução (2019–hoje): O desmonte federal de 2019–2022 levou o desmatamento a picos de uma década. A partir de 2023, a retomada do PPCDAm e a agenda climática estadual inverteram a curva: a Amazônia teve em 2025 o quarto ano seguido de queda, e o Pará reduziu seu desmatamento em 40% segundo o MapBiomas [1]. Em novembro de 2025, Belém sediou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), consolidando o estado como vitrine global da transição amazônica.



3. Posicionamento atual: a arquitetura de políticas do Pará

Dentro desse panorama, onde o estado se mostra em uma polaridade entre a dianteira do desmatamento e degradação ambiental e a linha de frente da construção de uma economia sustentável, uma série de frentes de atuação e políticas colocam o estado na vanguarda da transição ecológica.


Desde 2019, o Pará construiu um sistema de políticas que combina metas climáticas, restauração em larga escala, bioeconomia, rastreabilidade e financiamento por resultados. O objetivo é claro e a ambição não é pequena. Mas o desafio, como se verá, está na implementação nos municípios. Abaixo elencamos algumas das principais frentes de atuação do estado para alavancar uma economia sustentável.


Conservação e clima: A Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (Lei 9.048/2020) e o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) fixaram a meta de reduzir as emissões brutas em pelo menos 37% até 2030 e de alcançar neutralidade de emissões do uso da terra até 2036. Em 2024, o estado foi o primeiro do Brasil a assinar um contrato com a Coalizão LEAF (Lowering Emissions by Accelerating Forest finance), que reúne governos e empresas compradores de créditos florestais: até 12 milhões de créditos jurisdicionais de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal) de 2023–2026, a US$ 15 por tonelada, somando cerca de US$ 180 milhões [6]. O acordo ainda enfrenta questionamentos do Ministério Público e de parte das comunidades quanto à consulta prévia.


Restauração: O Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN-PA), instituído pelo Decreto 3.552/2023, estabelece 5,65 milhões de hectares a recuperar até 2030 e 7,41 milhões até 2035 [7], quase metade da meta nacional. Estudo do WRI Brasil estima até R$ 40,2 bilhões em riqueza gerada, R$ 9,4 bilhões em renda e R$ 1,9 bilhão em arrecadação com sua implementação [8].


Sociobioeconomia: O Pará foi o primeiro estado a ter uma Estratégia (2021) e um Plano Estadual de Bioeconomia – PlanBio (2022), cujo projeto estruturante é o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém.


Pecuária e rastreabilidade: O Programa Pecuária Sustentável do Pará criou o sistema de rastreabilidade individual de bovinos (Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará – SRBIPA), gerido pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). O prazo inicial previa que todo o rebanho seria identificado até 2026, mas um decreto recente estendeu a meta do rebanho rastreado para 31 de dezembro de 2030 [9]. O adiamento mostra a dificuldade de incluir médios e pequenos produtores no sistema de rastreabilidade.


Cooperação federativa: O programa federal União com Municípios reúne 70 municípios prioritários da Amazônia, com cerca de R$ 815 milhões previstos para controle do desmatamento, regularização fundiária e ambiental e pagamento por serviços ambientais (PSA) [10]. São Félix do Xingu, Altamira e outros municípios das duas regiões estão entre os prioritários.

A imagem abaixo mostra um compilado dos principais instrumentos públicos que buscam impulsionar uma economia sustentável em implementação no estado do Pará.


Instrumento

Nível

Foco

Relevância para os territórios

PEAA e Política Estadual de Clima

Estadual

Metas de emissões e desmatamento

Define o marco para REDD+ e comando e controle

PRVN-PA

Estadual

5,65 milhões de hectares (Mha) restaurados até 2030

Base do Grupo de Trabalho (GT) de Restauração da RGTX

PlanBio

Estadual

Bionegócios, inovação, cadeias

Cacau, açaí, óleos, castanha

Pecuária Sustentável / SRBIPA

Estadual

Rastreabilidade e requalificação

Central no Sudeste Paraense

REDD+ jurisdicional (LEAF)

Estadual

Pagamento por resultados

Repartição de benefícios a povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs)

União com Municípios

Federal

Desmatamento, CAR, fundiário

São Félix do Xingu (SFX) e municípios da Transamazônica

Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)

Federal

Crédito e compras públicas

Eixo do GT de Mecanismos Financeiros

Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA) / Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM)

Federal-regional

Desenvolvimento regional

Parceira da estratégia de crédito da RGTX


Além das políticas e instrumentos de políticas públicas em si, a implementação dessa agenda depende de uma teia de instituições com papéis complementares.


Governo do Pará:

  • Semas (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade): coordena a política climática, o licenciamento, o CAR e o sistema REDD+ jurisdicional.

  • Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará): gere as unidades de conservação estaduais e lidera a implementação do PRVN e da agenda de restauração.

  • Sedap (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca): fomenta cadeias como cacau e açaí, inclusive por meio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau).

  • Emater-PA (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará): principal prestadora pública de assistência técnica e extensão rural (ATER) aos agricultores familiares do estado.

  • Adepará: agência de defesa agropecuária responsável pela sanidade animal, pelos selos de inspeção e pela rastreabilidade bovina.

  • Iterpa (Instituto de Terras do Pará): conduz a regularização fundiária das terras sob domínio estadual.

  • Fapespa (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas): produz estatísticas e estudos econômicos sobre as cadeias paraenses.

Governo federal

  • MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima): coordena o PPCDAm e o programa União com Municípios, que apoia os municípios prioritários no controle do desmatamento.

  • MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar): formula as políticas de agricultura familiar, como Pronaf, PAA e ATER, e apoia a regularização de assentamentos.

  • Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária): responsável pela reforma agrária, pelos assentamentos e pela titulação em glebas públicas federais.

  • Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): gera e transfere tecnologias para SAF, pecuária de baixo carbono e produção de alimentos na região.

  • SUDAM: orienta o desenvolvimento regional pelo PRDA e pelas diretrizes do FNO.

  • BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) / Fundo Amazônia: principal fonte de recursos não reembolsáveis para prevenção do desmatamento, regularização e bioeconomia.

  • Banco da Amazônia: opera o FNO e é o principal agente financeiro do crédito rural, inclusive do Pronaf, na região.

Sociedade civil e pesquisa

  • TNC: atua no Pará desde a década de 2000 com CAR, cacau em SAF e rastreabilidade, e impulsiona as redes territoriais.

  • WWF-Brasil: trabalha com conservação de áreas protegidas, povos da floresta e cadeias da sociobiodiversidade na Amazônia.

  • WRI Brasil: produz estudos econômicos sobre restauração e nova economia, e apoiou a construção do PRVN-PA.

  • IPAM: instituto de pesquisa em clima, fogo e uso da terra que coordena o GT de Restauração da RGTX.

  • Imazon: monitora o desmatamento e a degradação por satélite e produz análises sobre políticas florestais.

  • ISA (Instituto Socioambiental): apoia povos indígenas e ribeirinhos do Xingu e a Rede de Sementes do Xingu.

  • Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola): atua com certificação, rastreabilidade e boas práticas nas cadeias agropecuárias e florestais.

  • Conservação Internacional (CI): apoia a gestão de territórios indígenas e iniciativas de restauração e bioeconomia.

  • Earthworm Foundation: trabalha com empresas e produtores por cadeias livres de desmatamento e coordena o GT de Políticas Públicas da RGTX.

  • Solidaridad: fortalece produtores de cacau e pecuária em boas práticas, acesso a mercados e sustentabilidade.

Território e mercado

  • Cooperativas e associações: organizam a produção, o beneficiamento e a venda de cacau, frutas, leite e produtos extrativistas.

  • Sindicatos rurais: representam agricultores familiares e produtores e mobilizam o público para crédito, CAR e políticas públicas.

  • Organizações indígenas e tradicionais: defendem os territórios e protagonizam a gestão ambiental e as economias da floresta.

  • Empresas de cacau, carne e mineração: compram, financiam ou compensam impactos, e podem alavancar investimentos e exigências de rastreabilidade.


4. Vocações econômicas: o que o Pará já sabe fazer bem

A economia da floresta em pé no Pará não é hipótese: ela já tem escala, mas ainda captura pouco valor. Um estudo da TNC com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Natura, coordenado pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA), mostrou que 30 produtos da sociobiodiversidade geraram R$ 5,4 bilhões de Produto Interno Bruto (PIB) e 224 mil empregos em 2019, quase três vezes o que as estatísticas oficiais registravam [11]. Naquele ano, o valor agregado da sociobiodiversidade praticamente empatou com o da pecuária, cerca de R$ 4,2 bilhões cada [12]. Com investimento em estruturação produtiva, beneficiamento local e acesso a mercados, o estudo projeta até R$ 170 bilhões em 2040.


Na escala amazônica, o estudo Nova Economia da Amazônia, do WRI Brasil com mais de 75 pesquisadores, estima que desmatamento zero, agropecuária de baixo carbono e restauração gerariam um PIB regional ao menos R$ 40 bilhões maior por ano a partir de 2050 e 312 mil empregos adicionais [13]. O mesmo trabalho mostra que a maior parte da demanda que puxa o desmatamento vem de fora da região, e que a Amazônia exporta produtos primários e importa valor agregado.

As principais vocações do estado, e seu peso nas duas regiões, são:


Cadeia

Posição do Pará

Presença nos territórios

Oportunidade central

Cacau em SAF

1º do país em volume e valor (≈50% do valor nacional) [14]

Medicilândia, Uruará, Placas, Altamira; SFX e Tucumã

Qualidade, verticalização, restauração produtiva

Açaí e polpas de frutas

≈93% da produção nacional

Crescente em SFX e na Transamazônica

Mercado regional, PAA/PNAE, agroindústria

Pecuária de corte e leite

2º rebanho (25,6 mi de cabeças); SFX é o maior município

Forte nas duas regiões, dominante no Sudeste

Intensificação, rastreabilidade, liberação de áreas

Restauração e sementes

Meta de 5,65 Mha (PRVN)

Rede de Sementes do Xingu, associação Sementes da Floresta (AASFLOR), viveiros

Empregos verdes, carbono, cumprimento do Código Florestal

Produtos florestais não madeireiros

Líder em cupuaçu, castanha, óleos

Terra do Meio, reservas extrativistas do Xingu, terras indígenas (TIs)

Beneficiamento comunitário e marcas de origem

Cumaru e especiarias

Nicho de exportação

Transamazônica (SAF com cacau e açaí)

Diversificação de renda no SAF

Carbono e PSA

REDD+ jurisdicional (LEAF)

PSA do União com Municípios; pilotos da RGTX

Pagamento a quem conserva e restaura

Turismo de base comunitária

Emergente

Rio Xingu, TIs e unidades de conservação (UCs)

Renda complementar e visibilidade internacional

O padrão se repete em quase todas as cadeias: o Pará lidera em volume, mas o beneficiamento, a marca e a margem ficam fora do estado. Reverter esse fato exige crédito, assistência técnica, logística, certificação sanitária e organização produtiva — justamente os temas que as redes territoriais escolheram como prioridade.



5. Dois territórios, duas trajetórias

A Transamazônica e Xingu e o Sudeste Paraense são vizinhos, compartilham a bacia do Xingu e muitos dos mesmos desafios, mas partem de realidades e históricos muito diferentes.


Mapa do Pará: municípios do núcleo de atuação das duas redes


Juntas, as duas redes cobrem 14 municípios que formam um corredor contínuo da foz do Xingu, em Porto de Moz, até a divisa com Mato Grosso, no sul de São Félix do Xingu.


Transamazônica e Xingu: o polo do cacau e da restauração produtiva

O território da Transamazônica e Xingu nasceu da colonização ao longo da BR-230 e tem Altamira como polo central. O núcleo de atuação da Rede de Governança da Transamazônica e Xingu (RGTX) abrange dez municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu. É uma região de agricultura familiar consolidada, com a maior concentração de cacau do Brasil: Medicilândia, Uruará e Placas lideram o ranking nacional, e a amêndoa local já foi premiada internacionalmente [15].


Ao sul, a Terra do Meio e as terras indígenas do médio Xingu formam um dos maiores corredores de áreas protegidas do planeta, com forte economia extrativista (castanha, borracha, óleos) e redes como a Rede de Sementes do Xingu. Belo Monte deixou uma herança dupla: impactos sociais profundos e um arranjo institucional de compensações e consórcios, como o Consórcio Belo Monte (ACBM) e o consórcio intermunicipal CIDS, que hoje financiam e coordenam políticas regionais.


Os principais riscos são a grilagem em glebas públicas, o avanço da pecuária sobre florestas, o garimpo e a violência fundiária, sobretudo em Anapu, Pacajá e no entorno das áreas protegidas.



Sudeste Paraense: a fronteira da pecuária em transição

O eixo inicial da rede do Sudeste reúne São Félix do Xingu, Tucumã, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte, na Região de Integração Araguaia. São Félix hospeda o maior rebanho bovino do país e um dos municípios que mais desmatou na história da Amazônia, sendo que no município cerca de 40% do desmatamento esteve associado à agricultura familiar [5].


O território combina pecuária extensiva, mineração (níquel e cobre em Ourilândia e arredores), garimpo e terras indígenas extensas, como a Kayapó, além da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, uma das unidades de conservação mais pressionadas da Amazônia. A agricultura familiar vive do leite, do cacau em expansão, das frutas e do açaí, com acesso crescente a mercados institucionais. O uso inadequado de agrotóxicos surgiu como preocupação central no diagnóstico da rede.


O que os diagnósticos revelaram

Uma escuta realizada com diversos atores do território revela desafios e gargalos importantes para o desenvolvimento de uma economia sustentável. No Sudeste, a escuta envolveu entrevistas aprofundadas com 18 organizações da sociedade civil, da academia e do poder público; na Transamazônica, os desafios coletivos foram mapeados nas oficinas que antecederam a fundação da RGTX. Nos dois territórios, as escutas apontaram os mesmos gargalos estruturais [16]:


  • Insegurança fundiária e ambiental: muitos CARs (Cadastro Ambiental Rural) estão inscritos, mas não validados, o que bloqueia crédito e políticas públicas.

  • Logística precária: estradas intransitáveis na chuva isolam comunidades e aumentam a dependência de atravessadores.

  • ATER insuficiente: assistência técnica pontual, descontínua e pouco integrada à regularização e à gestão.

  • Baixa capacidade de gestão: dificuldade de calcular custos e planejar investimentos, com pouca agregação de valor.

  • Sucessão rural: envelhecimento dos produtores e saída dos jovens por falta de renda no campo.

  • Desgaste institucional: projetos anteriores sem resultado geraram desconfiança em relação a novas iniciativas.

  • Pressão ambiental e conflitos: desmatamento ilegal, garimpo, grilagem e uso de agrotóxicos.


Ao mesmo tempo, as escutas mostraram um ponto de convergência na história recente do território: a bioeconomia (cacau, açaí, pecuária mais eficiente e sustentável) e os mercados institucionais puxados pelo governo federal (PAA - Programa de Aquisição de Alimentos e o PNAE - Programa Nacional de Alimentação Escolar) funcionam como aglutinador capaz de reunir atores com interesses muito diferentes. Esses achados orientaram diretamente a definição dos eixos e dos GTs de cada rede, como mostra a seção seguinte.


6. Redes territoriais: a articulação multissetorial na prática

As políticas descritas até aqui só geram resultado quando chegam no território, na cooperativa e na secretaria municipal. As redes de governança apoiadas pela TNC, com facilitação metodológica do Sense-Lab, foram desenhadas exatamente para fazer essa ponte na Transamazônica e Xingu e no Sudeste Paraense.




O que são redes territoriais

Redes territoriais multissetoriais são arranjos de governança em que organizações de naturezas diferentes, governo, sociedade civil, setor produtivo, academia, povos e comunidades, se organizam em torno de um território comum, e não de um projeto ou de uma única instituição. A literatura trata esses arranjos sob diferentes nomes. David Ehrlichman chama de redes de impacto os grupos de pessoas e organizações que se conectam, colaboram e agem juntos para transformar um sistema, com ênfase na qualidade das relações e na liderança distribuída [17]. A abordagem de impacto coletivo aponta cinco condições para que atores diversos gerem resultados em escala: agenda comum, medição compartilhada, atividades que se reforçam mutuamente, comunicação contínua e uma organização de suporte, a chamada backbone [18]. Já a abordagem de paisagem, aplicada à conciliação entre agricultura e conservação, propõe gerir usos concorrentes da terra por meio de negociação contínua entre os atores, múltiplas escalas de decisão, responsabilidades claras e monitoramento participativo [19].


No Brasil, essa ideia tem raízes nas políticas de desenvolvimento territorial, como os colegiados dos Territórios da Cidadania, e nos pactos municipais contra o desmatamento, a exemplo de Paragominas. Na Amazônia, ganhou escala com iniciativas como a Uma Concertação pela Amazônia, rede multissetorial criada em 2020 que reúne mais de 1.600 pessoas de governos, empresas, academia e sociedade civil [20]. No próprio Xingu, a Rede Xingu+ articula mais de 50 organizações indígenas, ribeirinhas e da sociedade civil, que se reúnem em assembleias a cada dois anos para definir prioridades para o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental [21].


As redes de governança da Transamazônica e do Sudeste ocupam um espaço intermediário entre essas experiências. São mais locais que a Concertação e mais multissetoriais que a Rede Xingu+: reúnem prefeituras, órgãos estaduais e federais, sindicatos, cooperativas, ONGs, pesquisa e empresas em torno de problemas concretos do território: regularização, crédito, assistência técnica, cadeias produtivas e restauração. Nos termos do impacto coletivo, a TNC e o Sense-Lab vêm cumprindo o papel de organização de suporte, com o objetivo explícito de transferi-lo progressivamente às organizações locais. A complementaridade com a Rede Xingu+ também é uma oportunidade: enquanto uma defende os territórios indígenas e ribeirinhos do corredor, as outras atuam sobre as áreas de colonização e agricultura familiar do entorno, de onde vem boa parte da pressão.


Por que redes, e não mais um projeto isolado

A abordagem parte da ideia de ecossistema: um conjunto vivo de atores diversos e interdependentes, conectados por um território e por fluxos de recursos, informação e confiança. A mudança central é deslocar o centro da articulação de uma organização para um propósito compartilhado, no qual cada instituição, organização não governamental (ONG), governo, cooperativa, universidade, empresa, se vê como parte de algo maior [22].



Para a TNC, a atuação multiatores traz benefícios concretos: enfrenta causas estruturais em vez de sintomas, melhora decisões e reduz riscos, aumenta a legitimidade, acelera o aprendizado, evita duplicidades e sustenta resultados além de um ciclo de financiamento. A estratégia persegue três vetores de escala:


  • Escala profunda: aprofundar o impacto no território, com proximidade e relações de confiança.

  • Escala para fora: replicar o modelo em novas regiões e disseminar boas práticas.

  • Escala para cima: influenciar leis, regras e políticas, como a implementação do PEAA e do PRVN nos municípios.


As duas redes compartilham a mesma lógica estratégica, que pode ser resumida em 3 movimentos chave: mostrar o que é prioridade para o território; organizar o que já existe, mapeando iniciativas e evitando sobreposições; e direcionar esforços e recursos de parceiros, Estado e financiadores para as iniciativas prioritárias. Em resumo: mais foco e cooperação, menos dispersão.


O método: três fases de desenvolvimento

O Sense-Lab aplica um framework de desenvolvimento de ecossistemas que organiza o trabalho em fases e momentos práticos. Ele se apoia em um canvas com duas dimensões — o ecossistema (onde atuamos) e a iniciativa em rede (como nos organizamos) — e em um ciclo de maturidade: início (1 ano), desenvolvimento (2–3 anos), maturidade (4–6 anos) e redefinição (mais de 6 anos) [16, 22].




Fase

Momentos

O que acontece

1. Estruturação da rede

M01 Iniciação 

M02 Diagnóstico

M03 Interpretação 

M04 Cocriação

Mapeamento de atores, entrevistas, validação de achados, proposta de valor e comitê provisório

2. Planejamento estratégico

M05 Desenvolvimento 

M06 Estruturação 

M07 Detalhamento

Documentos de gestão, teoria de mudança, objetivos de 3 a 5 anos e ações táticas dos GTs

3. Acompanhamento e avaliação

M08 Acompanhamento 

M09 Avaliação

Rotina de decisão, apoio aos GTs e preparação para a autonomia da rede


As duas redes estão em estágios diferentes desse fluxo, o que é parte da riqueza da experiência: a RGTX, já fundada, recebeu apoio direto nas fases 2 e 3; a rede do Sudeste foi estruturada desde a fase 1.


Da escuta à ação: como cada etapa alimenta as redes

Cada momento do método produz algo que a rede passa a usar. A tabela resume essa cadeia nos dois territórios [16]:

Etapa

O que foi feito

Como alimenta a rede

Mapeamento de atores (M01)

Levantamento de 58 organizações no Sudeste e das instituições já articuladas na Transamazônica

Define quem precisa estar à mesa e orienta a mobilização de novos membros

Escuta (M02)

Entrevistas aprofundadas com 18 organizações no Sudeste; oficinas de desafios coletivos em Altamira desde 2024

Gera o diagnóstico comum de gargalos e o banco de dados base da rede

Interpretação (M03)

Oficina online para validar os achados e formular uma proposta de valor

Transforma percepções individuais em uma leitura compartilhada do território

Cocriação (M04)

Encontros presenciais em São Félix do Xingu e em Altamira

Pactua propósito, diretrizes, eixos de atuação e o comitê provisório

Planejamento (M05–M07)

Carta de Princípios, Regimento Interno, teoria de mudança e matrizes de ação

Dá legitimidade às decisões e cria os GTs com coordenações multissetoriais

Acompanhamento (M08–M09)

Apoio às reuniões dos GTs e da Diretoria; sistematização de aprendizados

Converte prioridades em iniciativas, como o piloto do Pronaf B e o CAR em lote, e prepara a autonomia


A escuta, em particular, não é uma etapa protocolar. Foi a partir dela que os gargalos descritos na seção 5 (insegurança fundiária, ATER descontínua, logística precária, crédito que não chega) se tornaram os focos dos GTs de Políticas Públicas e de Mecanismos Financeiros, e que a bioeconomia e os mercados institucionais emergiram como a agenda capaz de unir atores com interesses distintos. 

A escuta também revelou limites das próprias redes, como a sub-representação de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, que passou a ser pauta explícita de inclusão. E, ao ouvir primeiro e propor depois, as redes começaram a responder ao desgaste deixado por projetos anteriores, que chegavam com soluções prontas.



A Rede de Governança da Transamazônica e Xingu (RGTX)

A RGTX se define como uma articulação multissetorial, não governamental e apartidária, que busca um desenvolvimento sustentável, justo, inclusivo e resiliente para a Transamazônica e Xingu. Na prática, quer fortalecer a agroecologia, a bioeconomia e as cadeias sustentáveis, ajudando o território a produzir, gerar renda e conservar ao mesmo tempo. Sua visão de impacto aponta para quatro mudanças: menor pressão de desmatamento e maior conformidade socioambiental; recuperação de áreas degradadas; mais ofertas e recursos para povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs); e mais renda.



Eixos estratégicos da RGTX · visão, quatro objetivos, resultados e impactos


Cada objetivo se liga a um ou dois resultados da cadeia de impacto da rede, e o conjunto converge para as quatro mudanças esperadas no território. Os GTs são o braço operacional dessa estratégia.

A tabela abaixo mostra os principais momentos coletivos do desenvolvimento da rede em uma linha do tempo


Quando

Marco

Resultado

Mai/2026

1ª Assembleia Geral (Altamira)

44 organizações; governança em operação e metas de 2026

Nov/2025

Assembleia de Fundação (Altamira)

28 organizações fundadoras; Regimento e Carta de Princípios aprovados; 4 GTs definidos

Set/2025

3ª Oficina (híbrida)

Definição dos seis pilares de governança

Abr/2025

2ª Oficina (Altamira)

Eleição da comissão executiva provisória

Out/2024

1ª Oficina (Altamira)

Desafios coletivos e mapeamento de soluções

Hoje a rede reúne 44 organizações: 20 do poder público (secretarias municipais, Emater, Ideflor-Bio, Incra, Adepará, Semas, consórcios), 19 da sociedade civil (TNC, IPAM, ISA, Conservação Internacional, Earthworm, Solidaridad, Conexsus, Fundação Viver, Produzir e Preservar – FVPP, Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura – Fetagri, União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária – Unicafes, cooperativas), 3 de ensino e pesquisa (Embrapa, Instituto Federal do Pará – IFPA, Universidade do Estado do Pará – UEPA) e 2 do setor privado, como a Associação Comercial e Industrial de Altamira (Aciapa). São 88 assentos de titulares e suplentes, 41% ocupados por mulheres. A Carta de Princípios foi assinada por mais de 50 representantes [16, 23].


A governança se organiza em quatro níveis, da decisão coletiva à execução temática:



Estrutura de governança da RGTX: 4 níveis, 4 GTs


A Assembleia reúne todos os membros; o Conselho Deliberativo, com assentos de governo, sociedade civil, pesquisa e setor privado, valida a estratégia; a Diretoria Executiva cuida da rotina; e os GTs, cada um com coordenação e vice de setores diferentes, executam.


O que cada GT está fazendo em 2026:

  •  O GT de Restauração conduz a análise histórica da paisagem, conecta o balanço da vegetação secundária ao PRVN-PA e sistematiza modelos demonstrativos de ISA, IPAM e Ideflor-Bio. 

  • O GT de Cadeias Produtivas prioriza poucas frentes: o sistema de produção alimentar da Embrapa com microcrédito de R$ 10 mil a R$ 20 mil, SAF de cacau, açaí e cumaru com unidade demonstrativa, e assistência técnica e gerencial para cerca de 200 pecuaristas (TNC, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar e Sindicato Rural de Altamira – Siralta). 

  • O GT de Políticas Públicas trabalha em um termo de cooperação entre TNC, agência alemã de cooperação internacional (GIZ) e Incra, em um piloto de CAR em lote inspirado no modelo do assentamento Tuerê, no Programa Terra Cidadã e na articulação com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para PAA e PNAE. 

  • O GT de Mecanismos Financeiros funciona como núcleo de inteligência financeira da rede: traz bancos (Banco do Estado do Pará – Banpará, Sistema de Crédito Cooperativo – Sicredi, e Caixa Econômica Federal) para a mesa, desenha pilotos de PSA em terras coletivas e estrutura a captação da própria rede.


Um exemplo de como a rede opera: a estratégia territorial do Pronaf B: Em setembro de 2026, o GT de Mecanismos Financeiros apresentou, com a SUDAM, uma proposta para ampliar o acesso de agricultores familiares de menor renda ao Pronaf B [24]. O diagnóstico é que a existência da linha não garante acesso: o crédito esbarra em informação, Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), documentação, ATER e na relação com os agentes financeiros. A resposta é organizar o crédito como uma jornada:


  1. Organizar o território: articulação institucional e diagnóstico de público, parceiros e gargalos.

  2. Preparar o público: mobilização, triagem, CAF e documentação, com Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs), associações e cooperativas.

  3. Viabilizar o crédito: propostas produtivas compatíveis com a capacidade de pagamento, com o Banco da Amazônia e outros agentes.

  4. Sustentar os resultados: acompanhamento pós-crédito, ATER e aprendizagem para expansão.


O público prioritário inclui mulheres, jovens, assentados, povos e comunidades tradicionais e extrativistas, em oito municípios da Transamazônica e quatro do Sudeste Paraense. O piloto vai de setembro de 2026 a outubro de 2027. A proposta deixa claros os limites: SUDAM e TNC não concedem nem garantem crédito; elas articulam, alinham o desenho ao PRDA e ao FNO e monitoram. É um retrato fiel do papel de uma rede — não substituir instituições, mas fazer com que elas funcionem juntas.



A Rede de Governança do Sudeste do Pará

A rede do Sudeste nasceu inspirada na RGTX e com o mesmo desenho institucional: Assembleia Geral, Conselho Deliberativo, Diretoria Executiva e quatro GTs. Seu propósito é promover uma trajetória de desenvolvimento que una crescimento econômico e preservação ambiental, com melhoria da qualidade de vida nas diversas regiões do território.


O percurso foi rápido. Após um diagnóstico com entrevistas aprofundadas a 18 organizações-chave, um encontro online e o primeiro encontro presencial em São Félix do Xingu, com mais de 50 participantes, validaram a proposta. O Comitê Executivo passou a se reunir em maio de 2026 e, em 23 e 24 de junho, o encontro de estruturação validou o Regimento e a Carta, definiu os membros, constituiu o Comitê Executivo Provisório e priorizou os GTs. Um novo encontro ampliado está previsto para novembro de 2026 [25].


Entre julho e outubro de 2026, o Comitê Executivo Provisório se reuniu mensalmente para refinar os focos de trabalho, mobilizar instituições estratégicas e acompanhar as primeiras ações. A SUDAM passou a integrar o Comitê, e o NAP preparou estudos para priorizar os assentamentos do primeiro lote de CAR. O 3º Encontro da Rede, marcado para 12 e 13 de novembro de 2026, deve eleger o Conselho Deliberativo e a Diretoria Executiva, acolher novas organizações e detalhar duas ações concretas: o CAR em lote nos assentamentos, a partir da experiência do Tuerê, e uma estratégia de microcrédito com as organizações de ATER [26].


Modelo de governança da Rede do Sudeste do Pará: instâncias definitivas e estrutura de transição


O desenho segue o Regimento Interno da rede: a Assembleia elege um Conselho de 11 a 15 membros, com pelo menos 40% de mulheres, que escolhe a Diretoria. Até a eleição, o Comitê Executivo Provisório faz a ponte entre o diagnóstico e a operação, e os GTs já trabalham nos focos definidos a partir da escuta.


A rede reúne 18 organizações membro e 34 representantes de São Félix do Xingu, Tucumã, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte. Entre elas estão cooperativas e associações (Cacuxi, Camppax, OCA, AMPPF), sindicatos (STTR São Félix, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Tucumã, Fetagri), órgãos públicos (secretarias municipais de agricultura de São Félix – Semagri – e de Água Azul do Norte – Semapa, Incra, Ideflor-Bio, Conselho de Alimentação Escolar) e organizações de apoio e pesquisa (TNC, Imaflora, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – Unifesspa, NAP, Crescer Consultoria). O mapeamento identificou 58 organizações no território: 18 já na rede, 8 próximas e 15 ainda sem contato. Nenhuma empresa ou instituição financeira integra a rede ainda, embora Banco da Amazônia, Companhia do Cacau e Ofi já tenham participado de encontros.


Os cinco eixos, definidos coletivamente a partir da escuta e do primeiro encontro presencial, são fortalecimento institucional e governança, estruturação produtiva, acesso a mercado, políticas públicas e regularização, e inclusão social. Três focos foram priorizados para o primeiro ciclo:


  • Regularização fundiária e ambiental: fortalecer o União com Municípios em São Félix do Xingu, mobilizar a Rede MMA de ATER, firmar cooperação com sindicatos rurais, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e MDA e avançar no Projeto de Assentamento (PA) Novo Oeste.

  • Mecanismos financeiros e mercado: reunir as organizações de ATER para preparar famílias e cooperativas para o crédito (CAF, regularização, planejamento) e ampliar o mercado regional de polpas e açaí, com incidência junto à Adepará para destravar selos de inspeção sanitária municipal (SIM), estadual (SIE) e federal (SIF).

  • Conscientização ambiental: levantar informações sobre o uso de agrotóxicos em São Félix, planejar ações com a ATER e levar o tema às escolas, engajando a Secretaria Municipal de Educação (Semed), a Unifesspa, Senar e a Casa Familiar Rural.



Os cinco eixos dão os contornos de longo prazo da rede. Os três focos priorizados são por onde a rede começa a entregar resultados visíveis, condição para manter o engajamento no território.


Dois estágios, um sistema

As duas redes se reforçam. A RGTX, mais madura, oferece à rede do Sudeste modelos de regimento, de Grupos de Trabalho e de relação com o poder público. A do Sudeste, por sua vez, leva a agenda para o epicentro da pecuária amazônica. Estratégias como a do Pronaf B já foram desenhadas para os dois territórios ao mesmo tempo. Um embrião de uma governança em escala de paisagem, do Xingu ao Araguaia.



7. Desafios e oportunidades

Com a sua trajetória recente de estruturação de políticas e instrumentos públicos e articulação de atores, o Pará já tem arcabouço institucional, metas e planos. O que falta é capacidade de implementação no território. Contudo, existem múltiplos desafios para avançar com essa agenda e aterrissar de fato nos territórios. Esses desafios se espelham também em oportunidades.

Desafio

Oportunidade correspondente

Regularização fundiária e CAR sem validação travam crédito, rastreabilidade e PSA

União com Municípios, CAR em lote e acordos com Incra, Iterpa e Semas; redes como articuladoras de mutirões

Pecuária extensiva e de baixa produtividade ocupa a maior parte da área aberta

Intensificação e rastreabilidade liberam pastagens degradadas para SAF e restauração, e abrem mercados exigentes

Valor da bioeconomia capturado fora do estado

Agroindústria local, selos sanitários, marcas de origem (como o cacau de Medicilândia) e compras públicas

ATER escassa e fragmentada

Coordenação territorial das ofertas de Emater, Senar, ONGs e empresas, com um plano único por território

Crédito existe, mas não chega

Jornadas integradas como a do Pronaf B, FNO, fundos de blended finance e bancos na mesa das redes

Logística precária e dependência de atravessadores

Cooperativas fortalecidas, compras coletivas e investimento em infraestrutura rural pelo PRDA

Violência, grilagem e garimpo ilegal

Presença do Estado articulada a municípios e à sociedade civil; monitoramento compartilhado

Jovens deixando o campo

Casas Familiares Rurais, empregos verdes na restauração e renda do cacau e do açaí

Integridade do carbono e consulta prévia

Repartição de benefícios transparente e governança territorial legítima para receber recursos


Os riscos  presentes nas próprias redes: A experiência na Transamazônica e no Sudeste mostra que os maiores riscos não são técnicos, mas relacionais e políticos. Manter o engajamento é mais difícil do que mobilizar: é preciso entregar valor cedo, com resultados visíveis. Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais ainda estão sub-representados, e a presença municipal no Sudeste se concentra em São Félix do Xingu. Há poucas organizações locais com capacidade de sustentar a rede sem a TNC e o Sense-Lab, e o risco de sobreposição e competição entre projetos e editais é real. Por fim, o histórico de iniciativas que não deixaram resultado cria resistência inicial, que só se vence com evidências.

Os avanços e conquistas: Por outro lado, a presença de lideranças locais que assumem o papel de porta-vozes gera um efeito dominó de adesão. A bioeconomia e os mercados institucionais funcionam como denominador comum entre atores muito diferentes. E as redes passaram a ser vistas como ponte entre os níveis municipal, estadual e federal — justamente o elo que as políticas do estado mais precisam.



8. Do Xingu ao Araguaia: caminhos para uma referência internacional

A região pode se tornar uma referência global em economia sustentável e de impacto se conseguir mostrar, com dados, que produz mais, desmata menos e distribui melhor. O contexto nunca foi tão favorável. A COP30 colocou Belém no centro da agenda climática; o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado no evento com a adesão de 53 países, pretende mobilizar até US$ 125 bilhões para remunerar a floresta em pé [27]; e o Pará já tem um contrato de REDD+ jurisdicional com compradores globais. Falta converter esses fluxos em investimento que chegue ao território. Sete alavancas podem fazer essa ponte.


  1. O território como unidade de investimento: Investidores de impacto e fundos climáticos buscam escala e governança confiável, não projetos isolados. As redes podem organizar um pipeline territorial de projetos captáveis para restauração, SAF, agroindústria, ATER e com prioridades pactuadas e sem sobreposição. O GT de Mecanismos Financeiros da RGTX já foi desenhado para ser esse núcleo de inteligência financeira.

  2. Integridade verificável: Mercados como o europeu exigem produtos livres de desmatamento e com origem comprovada. CAR validado, rastreabilidade bovina, monitoramento compartilhado da paisagem e indicadores públicos transformam a conformidade em vantagem competitiva para o cacau da Transamazônica e a carne do Sudeste.

  3. Marca de origem e valor agregado: O cacau de Medicilândia já é premiado internacionalmente. Os selos de origem, indicações geográficas, chocolates bean-to-bar, polpas com certificação sanitária e produtos da sociobiodiversidade da Terra do Meio podem levar o nome do território a mercados de alto valor.

  4. Finanças combinadas e fundos territoriais: A experiência mapeada pela TNC em outras redes, incluindo fundos de reserva, cofinanciamento, blended finance e mantenedores-âncora, aponta para um fundo territorial que combine recursos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), do Fundo Amazônia, do REDD+ jurisdicional, do TFFF, de filantropia e de empresas das cadeias do território.

  5. Pagamento a quem conserva e restaura. A repartição de benefícios do REDD+, os PSA do União com Municípios e pilotos em terras coletivas podem remunerar agricultores, povos indígenas e comunidades tradicionais, desde que com consulta prévia, transparência e governança legítima. Papel este que as redes ajudam a cumprir.

  6. Laboratório vivo e conhecimento aberto. Com Embrapa, UFPA, Unifesspa, IFPA e UEPA, a região pode produzir evidências sobre restauração produtiva, pecuária de baixo carbono e SAF, e compartilhá-las com outras paisagens tropicais, inclusive as da bacia do Congo e de Bornéu, que integram o TFFF.

  7. Conectividade física e digital. Estradas vicinais trafegáveis, energia solar descentralizada, internet rural e logística de cadeias curtas são pré-condições para que a floresta em pé seja economicamente competitiva.



Um portfólio de produtos e serviços sustentáveis

Além das cadeias e dos mecanismos financeiros já descritos, a região pode desenvolver um portfólio mais amplo, que agregue valor ao que já produz e crie novas fontes de renda baseadas em conhecimento, serviços e floresta em pé. Seis frentes se destacam:


Frente

Exemplos de produtos e serviços

Por que a região tem vantagem

Serviços de restauração

Coleta e venda de sementes nativas, viveiros, implantação e manutenção de restauração e de SAF como serviço contratado

Meta de 5,65 Mha do PRVN-PA, passivos do Código Florestal e experiência da Rede de Sementes do Xingu e do Cacau Floresta

Monitoramento e verificação

Monitoramento de carbono, biodiversidade e água, com satélite e coleta comunitária; apoio à rastreabilidade e ao CAR

Demanda do REDD+ jurisdicional, do TFFF e de compradores internacionais; base técnica de IPAM, Imazon e universidades

Bioinsumos e insumos da floresta

Biofertilizantes, controle biológico de pragas, mudas clonais de cacau, compostos feitos de cascas de cacau e caroços de açaí

Resposta direta ao problema dos agrotóxicos levantado no Sudeste e à escala das cadeias de cacau e açaí

Produtos de alto valor

Chocolate e derivados de cacau fino, óleos e extratos (andiroba, copaíba, cumaru), cosméticos, alimentos funcionais, queijos e carne rastreada com origem

Cacau premiado de Medicilândia, sociobiodiversidade da Terra do Meio e rebanho em processo de rastreabilidade

Energia e economia circular

Energia solar para agroindústrias e comunidades; aproveitamento de resíduos como biomassa e embalagens

Agroindústrias dispersas, rede elétrica frágil e grande volume de resíduos das cadeias

Turismo e economia do conhecimento

Turismo de base comunitária e de experiência (rota do cacau, rio Xingu), campos de pesquisa e formação, eventos sobre bioeconomia

Paisagens singulares, povos e culturas diversos e visibilidade internacional após a COP30


Esse portfólio tem uma característica comum: quase todas as frentes dependem de coordenação territorial, padrões de qualidade compartilhados, logística coletiva, dados abertos e confiança entre compradores e produtores. Esse é o tipo de função que as redes podem entregar, e que distingue uma região de um conjunto de projetos isolados.



9. Considerações finais

O Pará tem hoje uma rara combinação: metas climáticas ambiciosas, liderança nacional em cadeias da sociobiodiversidade, compradores internacionais para seus resultados florestais e visibilidade global após a COP30. O que ainda separa essa agenda de uma transformação real é a distância entre o plano estadual e o chão no território.


As experiências da Transamazônica e Xingu e do Sudeste Paraense sugerem que redes territoriais multissetoriais podem ser uma forma eficaz de encurtar essa distância. Elas tornam as prioridades visíveis, organizam o que já existe e fazem convergir recursos; aproximam secretarias municipais de Incra, Semas, SUDAM e bancos; e dão voz a cooperativas, sindicatos e comunidades na definição do que deve vir primeiro. Em menos de dois anos, a RGTX passou de oficinas a uma rede formal de 44 organizações com quatro GTs em operação, e a rede do Sudeste se estruturou no município com o maior rebanho do país.


O próximo ciclo será decisivo. Para a RGTX, o desafio é entregar resultados concretos em 2026 e ganhar autonomia operacional. Para o Sudeste, é formalizar-se com legitimidade e ampliar sua presença para além de São Félix do Xingu. Para ambas, é incluir de fato povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, trazer o setor privado e financeiro para dentro e construir um modelo próprio de financiamento. Se conseguirem, as duas regiões que simbolizaram a fronteira do desmatamento podem se tornar a vitrine de uma nova economia amazônica — produtiva, justa e com a floresta em pé.



Referências

[1] IMAZON. Desmatamento no Brasil fica abaixo de um milhão de hectares em 2025. Belém: Imazon, 2026. Disponível em: https://imazon.org.br/noticias/desmatamento-no-brasil-fica-abaixo-de-um-milhao-de-hectares-em-2025

[2] INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Estimativa de desmatamento na Amazônia Legal para 2025: nota técnica Prodes. São José dos Campos: INPE, 2025. Disponível em: https://data.inpe.br/wp-content/uploads/sites/3/2025/10/20251015Nota_tecnica_EstimativaPRODES_2025_F.pdf

[3] REBANHO bovino atinge 238 milhões de cabeças; Mato Grosso mantém liderança. Acrissul, Campo Grande, set. 2025. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal 2024 (IBGE). Disponível em: https://www.acrissul.com.br/noticias/rebanho-bovino-atinge-238-milhoes-de-cabecas-mato-grosso-mantem/26938/

[4] PARÁ movimenta R$ 38,38 bilhões com produção agrícola em 2025. O Liberal, Belém, set. 2026. Disponível em: https://www.oliberal.com/economia/para-movimenta-r-38-38-bilhoes-com-producao-agricola-em-2025-1.1172382

[5] THE NATURE CONSERVANCY (TNC). Cacau Floresta: há 10 anos restaurando áreas degradadas junto a pequenos produtores do Pará. São Paulo: TNC Brasil, 25 maio 2023. Disponível em: https://www.tnc.org.br/o-que-fazemos/nossas-iniciativas/desenvolvimento-rural-sustentavel/agroflorestas/cacau-floresta/10-anos-cacau-floresta/

[6] PARÁ é o 1º estado a assinar acordo de créditos de carbono. Poder360, Brasília, 24 set. 2024. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/para-e-o-1o-estado-brasileiro-a-assinar-acordo-de-creditos-de-carbono/

[7] PARÁ. Decreto nº 3.552, de 2023. Institui o Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa do Pará (PRVN-PA). Diário Oficial do Estado do Pará, Belém, 2023. Disponível em: https://ideflorbio.pa.gov.br/wp-content/uploads/2024/02/Decreto-no-3.552-2023-Institui-o-Plano-Estadual-de-Recuperacao-da-Vegetacao-Nativa-do-Para-PRVN-PA.pdf

[8] WRI BRASIL. Experiência do plano de restauração do Pará pode inspirar toda a Amazônia. São Paulo: WRI Brasil, 2025. Disponível em: https://www.wribrasil.org.br/noticias/experiencia-do-plano-de-restauracao-do-para-pode-inspirar-toda-amazonia

[9] DECRETO do governador amplia o prazo para a rastreabilidade de bovinos e bubalinos no estado. Agência Pará, Belém, dez. 2025. Disponível em: https://www.agenciapara.com.br/noticia/73041/decreto-do-governador-amplia-o-prazo-para-a-rastreabilidade-de-bovinos-e-bubalinos-no-estado

[10] GOVERNO federal investe R$ 132 milhões em regularização fundiária na Amazônia. Jornal de Brasília, Brasília, abr. 2026. Disponível em: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/governo-federal-investe-r-132-milhoes-em-regularizacao-fundiaria-na-amazonia/ 

[11] COSTA, F. A. et al. Bioeconomia da sociobiodiversidade no estado do Pará. Brasília, DF: The Nature Conservancy; Banco Interamericano de Desenvolvimento; Natura, 2021. (IDB-TN-2264). Disponível em: https://www.tnc.org.br/conecte-se/comunicacao/noticias/estudo-de-bioeconomia/

[12] THE NATURE CONSERVANCY (TNC). A bioeconomia da sociobiodiversidade: entenda desde as origens do conceito até sua prática pelas comunidades tradicionais da Amazônia. São Paulo: TNC Brasil, 2022. Disponível em: https://www.tnc.org.br/conecte-se/comunicacao/artigos-e-estudos/bioeconomia-da-sociobiodiversidade-conceitos/ 

[13] FILIPPE, M. Nova Economia da Amazônia pode adicionar R$ 40 bilhões ao PIB em 2050. Exame, São Paulo, 20 jun. 2023. Disponível em: https://exame.com/esg/nova-economia-da-amazonia-pode-adicionar-r-40-bilhoes-ao-pib-em-2050/ 

[14] PARÁ lidera produção de cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor. Gazeta Carajás, Marabá, 2026. Disponível em: https://www.gazetacarajas.com/noticia/para-lidera-producao-de-cacau-no-brasil-e-concentra-mais-de-50-da-riqueza-do-setor 

[15] COM apoio do Estado, produção e exportação do cacau paraense crescem com reconhecimento internacional. Agência Pará, Belém, mar. 2024. Disponível em: https://www.agenciapara.com.br/noticia/52712/com-apoio-do-estado-producao-e-exportacao-do-cacau-paraense-crescem-com-reconhecimento-internacional

[16] SENSE-LAB; THE NATURE CONSERVANCY (TNC). Sistematização e planejamento das redes: Sudeste do Pará, Transamazônica e Xingu. Relatório integrado (Produto A). [S. l.], abr. 2026. Documento interno.

[17] EHRLICHMAN, D. Impact networks: create connection, spark collaboration, and catalyze systemic change. Oakland: Berrett-Koehler, 2021.

[18] KANIA, J.; KRAMER, M. Collective impact. Stanford Social Innovation Review, Stanford, v. 9, n. 1, p. 36-41, 2011.

[19] SAYER, J. et al. Ten principles for a landscape approach to reconciling agriculture, conservation, and other competing land uses. Proceedings of the National Academy of Sciences, Washington, v. 110, n. 21, p. 8349-8356, 2013. DOI: https://doi.org/10.1073/pnas.1210595110.

[20] UMA CONCERTAÇÃO PELA AMAZÔNIA. Sobre nós. [S. l.], 2026. Disponível em: https://concertacaoamazonia.com.br/sobre-nos/. 

[21] REDE XINGU+. Quem somos. [S. l.], [2025?]. Disponível em: https://xingumais.org.br/quem-somos.

[22] THE NATURE CONSERVANCY (TNC). Estratégia Rede de Governança: Transamazônica e Sudeste do Pará. [S. l.], jul. 2026. Apresentação. Documento interno.

[23] REDE DE GOVERNANÇA TRANSAMAZÔNICA E XINGU (RGTX). Rede de Governança Transamazônica e Xingu. Altamira, set. 2026.

[24] REDE DE GOVERNANÇA TRANSAMAZÔNICA E XINGU (RGTX). GT Mecanismos Financeiros: proposta de estratégia territorial para ampliar o acesso ao Pronaf B. Altamira, 15 set. 2026.

[25] REDE DE GOVERNANÇA DO SUDESTE DO PARÁ. Rede de Governança do Sudeste do Pará: Comitê Executivo. São Félix do Xingu, ago. 2026. Apresentação.

[26] REDE DE GOVERNANÇA DO SUDESTE DO PARÁ. 3º Encontro da Rede: proposta de agenda, 12 e 13 de novembro de 2026. São Félix do Xingu, set. 2026. Apresentação.

[27] BOLDRINI, G. TFFF: fundo lançado na COP30 promete revolucionar investimento em florestas. BB Investalk, 7 nov. 2025. Disponível em: https://investalk.bb.com.br/noticias/sustentabilidade/tfff-fundo-lancado-na-cop30-promete-revolucionar-investimento-em-florestas

[28] REGIONAL IMPACT TRADE ALLIANCE (RITA). The Regional Impact Trade Alliance. [S. l.], 2025. Disponível em: https://www.rita.earth/

[29] REGIONAL IMPACT TRADE ALLIANCE (RITA). About us. [S. l.], 2025. Disponível em: https://globalrita.com/about-us

 
 
 

Comentários


bottom of page