Redes territoriais e economia sustentável no Pará: o caso da Transamazônica e do Sudeste Paraense

Introdução
O Pará concentra, ao mesmo tempo, as maiores pressões e algumas das maiores oportunidades da Amazônia brasileira. É o estado que mais desmatou nas últimas décadas e também o que se lançou, a partir de 2020, a uma das agendas subnacionais mais ambiciosas de clima, restauração e bioeconomia do país. Entre uma coisa e outra, está o território: municípios, cooperativas, sindicatos, secretarias, povos indígenas, agricultores familiares e empresas que precisam fazer as políticas funcionarem na prática.
Este artigo parte de uma pergunta simples: o que faz uma política ambiental ou econômica chegar a fazer a diferença no território? A hipótese defendida aqui é que redes territoriais multissetoriais são uma das peças que faltavam. Elas organizam prioridades, reduzem a sobreposição de projetos, ligam municípios ao Estado e à União e dão escala a soluções que hoje estão dispersas.
A análise combina fontes públicas de referência com a experiência de duas redes estruturadas pela TNC com facilitação metodológica do Sense-Lab: a Rede de Governança da Transamazônica e Xingu (RGTX) e a Rede de Governança do Sudeste do Pará. O texto percorre o contexto socioambiental do estado, seu histórico e sua estratégia atual; as vocações econômicas e as cadeias que podem sustentar outro modelo de desenvolvimento; o funcionamento das redes; e, por fim, os caminhos para que a região se torne uma referência internacional em economia sustentável e de impacto.
1. O Pará em contexto: floresta, gente e pressão
O Pará é, simultaneamente, o maior foco de desmatamento da Amazônia e o maior produtor brasileiro de açaí e cacau. Com cerca de 1,25 milhão de km², 144 municípios e pouco mais de 8 milhões de habitantes (Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE), o estado reúne florestas contínuas, grandes bacias (Tapajós, Xingu, Tocantins-Araguaia), terras indígenas, unidades de conservação, assentamentos e frentes agropecuárias e minerais.
Pressão real e concentrada: Entre 2019 e 2025, o Pará foi o estado que mais perdeu vegetação nativa no Brasil, com mais de 2 milhões de hectares [1]. No ano-base 2025 do Prodes, sistema de monitoramento do desmatamento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que vai de agosto de 2024 a julho de 2025, o estado respondeu por 2.098 km², ou 36% de todo o desmatamento da Amazônia Legal [2]. A expansão agropecuária explica praticamente toda a perda de vegetação no país, e o garimpo ilegal tem no Pará seu principal foco amazônico.
Degradação como novo desafio: Além do corte raso, o fogo e a exploração madeireira predatória avançaram: na temporada 2024–2025. O Pará concentrou a maior parte da área degradada da Amazônia, em um ano de seca extrema e incêndios recordes.
Múltiplas economias convivendo no estado: O estado tem o segundo maior rebanho bovino do país, com 25,6 milhões de cabeças, e abriga o município com o maior rebanho do Brasil, São Félix do Xingu, com 2,5 milhões [3]. A mineração em Carajás e as hidrelétricas, como Belo Monte, completam um modelo historicamente baseado em commodities e grandes obras. Ao mesmo tempo, o Pará lidera a produção nacional de açaí (93%), dendê, cupuaçu, mandioca e cacau [4].
Tecido social diverso e vulnerável: Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares convivem com conflitos fundiários, violência no campo, baixa cobertura de assistência técnica e indicadores sociais abaixo da média nacional. Esse é o pano de fundo em que qualquer estratégia de conservação ou de nova economia precisa operar.
2. Histórico: da fronteira de expansão à agenda de transição
A trajetória recente do Pará pode ser lida em quatro ciclos, cada um deixando marcas no território e nas instituições.

Linha do tempo: quatro ciclos da ocupação e da política ambiental no Pará
Cada ciclo deixou instituições e conflitos que ainda moldam o território. Os parágrafos a seguir detalham cada um deles.
Integração e grandes projetos (anos 1970–1990): A abertura da BR-230, a Transamazônica, dentro do Programa de Integração Nacional, trouxe colonos de todo o país a lotes ao longo da rodovia, em municípios como Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará. No sudeste, Carajás, Tucuruí e a expansão da pecuária consolidaram uma economia de enclave e de fronteira. O resultado foi uma ocupação rápida, com pouca regularização fundiária e muitos conflitos.
Fronteira do desmatamento e da violência (anos 1990–2000). Grilagem, madeira ilegal e pecuária extensiva fizeram de São Félix do Xingu, Altamira, Anapu e Novo Progresso os epicentros do desmatamento. O assassinato da missionária Dorothy Stang em Anapu, em 2005, tornou visível a violência fundiária. Em resposta, surgiram o mosaico da Terra do Meio, novas unidades de conservação e o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), lançado pelo governo federal em 2004, que reduziu fortemente o desmatamento até 2012.
Comando e controle com incentivos (2008–2018): A lista federal de municípios prioritários, com restrição de crédito, levou Paragominas a criar o modelo "Município Verde", ampliado pelo estado no Programa Municípios Verdes (2011). O Código Florestal de 2012 e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ganharam escala; a TNC apoiou o cadastro em São Félix do Xingu e lançou, em 2012, o projeto Cacau Mais Sustentável, origem do Cacau Floresta, que já envolveu mais de 600 famílias e implantou mais de 2.000 hectares de sistemas agroflorestais (SAF) com cacau em oito municípios das duas regiões [5]. No mesmo período, a construção de Belo Monte (2011–2019) transformou a região de Altamira e deixou um passivo social e compensações que ainda estruturam a governança local.
Retrocesso e reconstrução (2019–hoje): O desmonte federal de 2019–2022 levou o desmatamento a picos de uma década. A partir de 2023, a retomada do PPCDAm e a agenda climática estadual inverteram a curva: a Amazônia teve em 2025 o quarto ano seguido de queda, e o Pará reduziu seu desmatamento em 40% segundo o MapBiomas [1]. Em novembro de 2025, Belém sediou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), consolidando o estado como vitrine global da transição amazônica.
3. Posicionamento atual: a arquitetura de políticas do Pará
Dentro desse panorama, onde o estado se mostra em uma polaridade entre a dianteira do desmatamento e degradação ambiental e a linha de frente da construção de uma economia sustentável, uma série de frentes de atuação e políticas colocam o estado na vanguarda da transição ecológica.
Desde 2019, o Pará construiu um sistema de políticas que combina metas climáticas, restauração em larga escala, bioeconomia, rastreabilidade e financiamento por resultados. O objetivo é claro e a ambição não é pequena. Mas o desafio, como se verá, está na implementação nos municípios. Abaixo elencamos algumas das principais frentes de atuação do estado para alavancar uma economia sustentável.
Conservação e clima: A Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (Lei 9.048/2020) e o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) fixaram a meta de reduzir as emissões brutas em pelo menos 37% até 2030 e de alcançar neutralidade de emissões do uso da terra até 2036. Em 2024, o estado foi o primeiro do Brasil a assinar um contrato com a Coalizão LEAF (Lowering Emissions by Accelerating Forest finance), que reúne governos e empresas compradores de créditos florestais: até 12 milhões de créditos jurisdicionais de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal) de 2023–2026, a US$ 15 por tonelada, somando cerca de US$ 180 milhões [6]. O acordo ainda enfrenta questionamentos do Ministério Público e de parte das comunidades quanto à consulta prévia.
Restauração: O Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN-PA), instituído pelo Decreto 3.552/2023, estabelece 5,65 milhões de hectares a recuperar até 2030 e 7,41 milhões até 2035 [7], quase metade da meta nacional. Estudo do WRI Brasil estima até R$ 40,2 bilhões em riqueza gerada, R$ 9,4 bilhões em renda e R$ 1,9 bilhão em arrecadação com sua implementação [8].
Sociobioeconomia: O Pará foi o primeiro estado a ter uma Estratégia (2021) e um Plano Estadual de Bioeconomia – PlanBio (2022), cujo projeto estruturante é o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém.
Pecuária e rastreabilidade: O Programa Pecuária Sustentável do Pará criou o sistema de rastreabilidade individual de bovinos (Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará – SRBIPA), gerido pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). O prazo inicial previa que todo o rebanho seria identificado até 2026, mas um decreto recente estendeu a meta do rebanho rastreado para 31 de dezembro de 2030 [9]. O adiamento mostra a dificuldade de incluir médios e pequenos produtores no sistema de rastreabilidade.
Cooperação federativa: O programa federal União com Municípios reúne 70 municípios prioritários da Amazônia, com cerca de R$ 815 milhões previstos para controle do desmatamento, regularização fundiária e ambiental e pagamento por serviços ambientais (PSA) [10]. São Félix do Xingu, Altamira e outros municípios das duas regiões estão entre os prioritários.
A imagem abaixo mostra um compilado dos principais instrumentos públicos que buscam impulsionar uma economia sustentável em implementação no estado do Pará.
Instrumento | Nível | Foco | Relevância para os territórios |
PEAA e Política Estadual de Clima | Estadual | Metas de emissões e desmatamento | Define o marco para REDD+ e comando e controle |
PRVN-PA | Estadual | 5,65 milhões de hectares (Mha) restaurados até 2030 | Base do Grupo de Trabalho (GT) de Restauração da RGTX |
PlanBio | Estadual | Bionegócios, inovação, cadeias | Cacau, açaí, óleos, castanha |
Pecuária Sustentável / SRBIPA | Estadual | Rastreabilidade e requalificação | Central no Sudeste Paraense |
REDD+ jurisdicional (LEAF) | Estadual | Pagamento por resultados | Repartição de benefícios a povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs) |
União com Municípios | Federal | Desmatamento, CAR, fundiário | São Félix do Xingu (SFX) e municípios da Transamazônica |
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) | Federal | Crédito e compras públicas | Eixo do GT de Mecanismos Financeiros |
Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA) / Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) | Federal-regional | Desenvolvimento regional | Parceira da estratégia de crédito da RGTX |
Além das políticas e instrumentos de políticas públicas em si, a implementação dessa agenda depende de uma teia de instituições com papéis complementares.
Governo do Pará:
Semas (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade): coordena a política climática, o licenciamento, o CAR e o sistema REDD+ jurisdicional.
Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará): gere as unidades de conservação estaduais e lidera a implementação do PRVN e da agenda de restauração.
Sedap (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca): fomenta cadeias como cacau e açaí, inclusive por meio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau).
Emater-PA (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará): principal prestadora pública de assistência técnica e extensão rural (ATER) aos agricultores familiares do estado.
Adepará: agência de defesa agropecuária responsável pela sanidade animal, pelos selos de inspeção e pela rastreabilidade bovina.
Iterpa (Instituto de Terras do Pará): conduz a regularização fundiária das terras sob domínio estadual.
Fapespa (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas): produz estatísticas e estudos econômicos sobre as cadeias paraenses.
Governo federal
MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima): coordena o PPCDAm e o programa União com Municípios, que apoia os municípios prioritários no controle do desmatamento.
MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar): formula as políticas de agricultura familiar, como Pronaf, PAA e ATER, e apoia a regularização de assentamentos.
Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária): responsável pela reforma agrária, pelos assentamentos e pela titulação em glebas públicas federais.
Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): gera e transfere tecnologias para SAF, pecuária de baixo carbono e produção de alimentos na região.
SUDAM: orienta o desenvolvimento regional pelo PRDA e pelas diretrizes do FNO.
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) / Fundo Amazônia: principal fonte de recursos não reembolsáveis para prevenção do desmatamento, regularização e bioeconomia.
Banco da Amazônia: opera o FNO e é o principal agente financeiro do crédito rural, inclusive do Pronaf, na região.
Sociedade civil e pesquisa
TNC: atua no Pará desde a década de 2000 com CAR, cacau em SAF e rastreabilidade, e impulsiona as redes territoriais.
WWF-Brasil: trabalha com conservação de áreas protegidas, povos da floresta e cadeias da sociobiodiversidade na Amazônia.
WRI Brasil: produz estudos econômicos sobre restauração e nova economia, e apoiou a construção do PRVN-PA.
IPAM: instituto de pesquisa em clima, fogo e uso da terra que coordena o GT de Restauração da RGTX.
Imazon: monitora o desmatamento e a degradação por satélite e produz análises sobre políticas florestais.
ISA (Instituto Socioambiental): apoia povos indígenas e ribeirinhos do Xingu e a Rede de Sementes do Xingu.
Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola): atua com certificação, rastreabilidade e boas práticas nas cadeias agropecuárias e florestais.
Conservação Internacional (CI): apoia a gestão de territórios indígenas e iniciativas de restauração e bioeconomia.
Earthworm Foundation: trabalha com empresas e produtores por cadeias livres de desmatamento e coordena o GT de Políticas Públicas da RGTX.
Solidaridad: fortalece produtores de cacau e pecuária em boas práticas, acesso a mercados e sustentabilidade.
Território e mercado
Cooperativas e associações: organizam a produção, o beneficiamento e a venda de cacau, frutas, leite e produtos extrativistas.
Sindicatos rurais: representam agricultores familiares e produtores e mobilizam o público para crédito, CAR e políticas públicas.
Organizações indígenas e tradicionais: defendem os territórios e protagonizam a gestão ambiental e as economias da floresta.
Empresas de cacau, carne e mineração: compram, financiam ou compensam impactos, e podem alavancar investimentos e exigências de rastreabilidade.
4. Vocações econômicas: o que o Pará já sabe fazer bem
A economia da floresta em pé no Pará não é hipótese: ela já tem escala, mas ainda captura pouco valor. Um estudo da TNC com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Natura, coordenado pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA), mostrou que 30 produtos da sociobiodiversidade geraram R$ 5,4 bilhões de Produto Interno Bruto (PIB) e 224 mil empregos em 2019, quase três vezes o que as estatísticas oficiais registravam [11]. Naquele ano, o valor agregado da sociobiodiversidade praticamente empatou com o da pecuária, cerca de R$ 4,2 bilhões cada [12]. Com investimento em estruturação produtiva, beneficiamento local e acesso a mercados, o estudo projeta até R$ 170 bilhões em 2040.
Na escala amazônica, o estudo Nova Economia da Amazônia, do WRI Brasil com mais de 75 pesquisadores, estima que desmatamento zero, agropecuária de baixo carbono e restauração gerariam um PIB regional ao menos R$ 40 bilhões maior por ano a partir de 2050 e 312 mil empregos adicionais [13]. O mesmo trabalho mostra que a maior parte da demanda que puxa o desmatamento vem de fora da região, e que a Amazônia exporta produtos primários e importa valor agregado.
As principais vocações do estado, e seu peso nas duas regiões, são:
Cadeia | Posição do Pará | Presença nos territórios | Oportunidade central |
Cacau em SAF | 1º do país em volume e valor (≈50% do valor nacional) [14] | Medicilândia, Uruará, Placas, Altamira; SFX e Tucumã | Qualidade, verticalização, restauração produtiva |
Açaí e polpas de frutas | ≈93% da produção nacional | Crescente em SFX e na Transamazônica | Mercado regional, PAA/PNAE, agroindústria |
Pecuária de corte e leite | 2º rebanho (25,6 mi de cabeças); SFX é o maior município | Forte nas duas regiões, dominante no Sudeste | Intensificação, rastreabilidade, liberação de áreas |
Restauração e sementes | Meta de 5,65 Mha (PRVN) | Rede de Sementes do Xingu, associação Sementes da Floresta (AASFLOR), viveiros | Empregos verdes, carbono, cumprimento do Código Florestal |
Produtos florestais não madeireiros | Líder em cupuaçu, castanha, óleos | Terra do Meio, reservas extrativistas do Xingu, terras indígenas (TIs) | Beneficiamento comunitário e marcas de origem |
Cumaru e especiarias | Nicho de exportação | Transamazônica (SAF com cacau e açaí) | Diversificação de renda no SAF |
Carbono e PSA | REDD+ jurisdicional (LEAF) | PSA do União com Municípios; pilotos da RGTX | Pagamento a quem conserva e restaura |
Turismo de base comunitária | Emergente | Rio Xingu, TIs e unidades de conservação (UCs) | Renda complementar e visibilidade internacional |
O padrão se repete em quase todas as cadeias: o Pará lidera em volume, mas o beneficiamento, a marca e a margem ficam fora do estado. Reverter esse fato exige crédito, assistência técnica, logística, certificação sanitária e organização produtiva — justamente os temas que as redes territoriais escolheram como prioridade.
5. Dois territórios, duas trajetórias
A Transamazônica e Xingu e o Sudeste Paraense são vizinhos, compartilham a bacia do Xingu e muitos dos mesmos desafios, mas partem de realidades e históricos muito diferentes.

Mapa do Pará: municípios do núcleo de atuação das duas redes
Juntas, as duas redes cobrem 14 municípios que formam um corredor contínuo da foz do Xingu, em Porto de Moz, até a divisa com Mato Grosso, no sul de São Félix do Xingu.
Transamazônica e Xingu: o polo do cacau e da restauração produtiva
O território da Transamazônica e Xingu nasceu da colonização ao longo da BR-230 e tem Altamira como polo central. O núcleo de atuação da Rede de Governança da Transamazônica e Xingu (RGTX) abrange dez municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu. É uma região de agricultura familiar consolidada, com a maior concentração de cacau do Brasil: Medicilândia, Uruará e Placas lideram o ranking nacional, e a amêndoa local já foi premiada internacionalmente [15].
Ao sul, a Terra do Meio e as terras indígenas do médio Xingu formam um dos maiores corredores de áreas protegidas do planeta, com forte economia extrativista (castanha, borracha, óleos) e redes como a Rede de Sementes do Xingu. Belo Monte deixou uma herança dupla: impactos sociais profundos e um arranjo institucional de compensações e consórcios, como o Consórcio Belo Monte (ACBM) e o consórcio intermunicipal CIDS, que hoje financiam e coordenam políticas regionais.
Os principais riscos são a grilagem em glebas públicas, o avanço da pecuária sobre florestas, o garimpo e a violência fundiária, sobretudo em Anapu, Pacajá e no entorno das áreas protegidas.
Sudeste Paraense: a fronteira da pecuária em transição
O eixo inicial da rede do Sudeste reúne São Félix do Xingu, Tucumã, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte, na Região de Integração Araguaia. São Félix hospeda o maior rebanho bovino do país e um dos municípios que mais desmatou na história da Amazônia, sendo que no município cerca de 40% do desmatamento esteve associado à agricultura familiar [5].
O território combina pecuária extensiva, mineração (níquel e cobre em Ourilândia e arredores), garimpo e terras indígenas extensas, como a Kayapó, além da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, uma das unidades de conservação mais pressionadas da Amazônia. A agricultura familiar vive do leite, do cacau em expansão, das frutas e do açaí, com acesso crescente a mercados institucionais. O uso inadequado de agrotóxicos surgiu como preocupação central no diagnóstico da rede.
O que os diagnósticos revelaram
Uma escuta realizada com diversos atores do território revela desafios e gargalos importantes para o desenvolvimento de uma economia sustentável. No Sudeste, a escuta envolveu entrevistas aprofundadas com 18 organizações da sociedade civil, da academia e do poder público; na Transamazônica, os desafios coletivos foram mapeados nas oficinas que antecederam a fundação da RGTX. Nos dois territórios, as escutas apontaram os mesmos gargalos estruturais [16]:
Insegurança fundiária e ambiental: muitos CARs (Cadastro Ambiental Rural) estão inscritos, mas não validados, o que bloqueia crédito e políticas públicas.
Logística precária: estradas intransitáveis na chuva isolam comunidades e aumentam a dependência de atravessadores.
ATER insuficiente: assistência técnica pontual, descontínua e pouco integrada à regularização e à gestão.
Baixa capacidade de gestão: dificuldade de calcular custos e planejar investimentos, com pouca agregação de valor.
Sucessão rural: envelhecimento dos produtores e saída dos jovens por falta de renda no campo.
Desgaste institucional: projetos anteriores sem resultado geraram desconfiança em relação a novas iniciativas.
Pressão ambiental e conflitos: desmatamento ilegal, garimpo, grilagem e uso de agrotóxicos.
Ao mesmo tempo, as escutas mostraram um ponto de convergência na história recente do território: a bioeconomia (cacau, açaí, pecuária mais eficiente e sustentável) e os mercados institucionais puxados pelo governo federal (PAA - Programa de Aquisição de Alimentos e o PNAE - Programa Nacional de Alimentação Escolar) funcionam como aglutinador capaz de reunir atores com interesses muito diferentes. Esses achados orientaram diretamente a definição dos eixos e dos GTs de cada rede, como mostra a seção seguinte.
6. Redes territoriais: a articulação multissetorial na prática
As políticas descritas até aqui só geram resultado quando chegam no território, na cooperativa e na secretaria municipal. As redes de governança apoiadas pela TNC, com facilitação metodológica do Sense-Lab, foram desenhadas exatamente para fazer essa ponte na Transamazônica e Xingu e no Sudeste Paraense.

O que são redes territoriais
Redes territoriais multissetoriais são arranjos de governança em que organizações de naturezas diferentes, governo, sociedade civil, setor produtivo, academia, povos e comunidades, se organizam em torno de um território comum, e não de um projeto ou de uma única instituição. A literatura trata esses arranjos sob diferentes nomes. David Ehrlichman chama de redes de impacto os grupos de pessoas e organizações que se conectam, colaboram e agem juntos para transformar um sistema, com ênfase na qualidade das relações e na liderança distribuída [17]. A abordagem de impacto coletivo aponta cinco condições para que atores diversos gerem resultados em escala: agenda comum, medição compartilhada, atividades que se reforçam mutuamente, comunicação contínua e uma organização de suporte, a chamada backbone [18]. Já a abordagem de paisagem, aplicada à conciliação entre agricultura e conservação, propõe gerir usos concorrentes da terra por meio de negociação contínua entre os atores, múltiplas escalas de decisão, responsabilidades claras e monitoramento participativo [19].
No Brasil, essa ideia tem raízes nas políticas de desenvolvimento territorial, como os colegiados dos Territórios da Cidadania, e nos pactos municipais contra o desmatamento, a exemplo de Paragominas. Na Amazônia, ganhou escala com iniciativas como a Uma Concertação pela Amazônia, rede multissetorial criada em 2020 que reúne mais de 1.600 pessoas de governos, empresas, academia e sociedade civil [20]. No próprio Xingu, a Rede Xingu+ articula mais de 50 organizações indígenas, ribeirinhas e da sociedade civil, que se reúnem em assembleias a cada dois anos para definir prioridades para o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental [21].
As redes de governança da Transamazônica e do Sudeste ocupam um espaço intermediário entre essas experiências. São mais locais que a Concertação e mais multissetoriais que a Rede Xingu+: reúnem prefeituras, órgãos estaduais e federais, sindicatos, cooperativas, ONGs, pesquisa e empresas em torno de problemas concretos do território: regularização, crédito, assistência técnica, cadeias produtivas e restauração. Nos termos do impacto coletivo, a TNC e o Sense-Lab vêm cumprindo o papel de organização de suporte, com o objetivo explícito de transferi-lo progressivamente às organizações locais. A complementaridade com a Rede Xingu+ também é uma oportunidade: enquanto uma defende os territórios indígenas e ribeirinhos do corredor, as outras atuam sobre as áreas de colonização e agricultura familiar do entorno, de onde vem boa parte da pressão.
Por que redes, e não mais um projeto isolado
A abordagem parte da ideia de ecossistema: um conjunto vivo de atores diversos e interdependentes, conectados por um território e por fluxos de recursos, informação e confiança. A mudança central é deslocar o centro da articulação de uma organização para um propósito compartilhado, no qual cada instituição, organização não governamental (ONG), governo, cooperativa, universidade, empresa, se vê como parte de algo maior [22].

Para a TNC, a atuação multiatores traz benefícios concretos: enfrenta causas estruturais em vez de sintomas, melhora decisões e reduz riscos, aumenta a legitimidade, acelera o aprendizado, evita duplicidades e sustenta resultados além de um ciclo de financiamento. A estratégia persegue três vetores de escala:
Escala profunda: aprofundar o impacto no território, com proximidade e relações de confiança.
Escala para fora: replicar o modelo em novas regiões e disseminar boas práticas.
Escala para cima: influenciar leis, regras e políticas, como a implementação do PEAA e do PRVN nos municípios.
As duas redes compartilham a mesma lógica estratégica, que pode ser resumida em 3 movimentos chave: mostrar o que é prioridade para o território; organizar o que já existe, mapeando iniciativas e evitando sobreposições; e direcionar esforços e recursos de parceiros, Estado e financiadores para as iniciativas prioritárias. Em resumo: mais foco e cooperação, menos dispersão.
O método: três fases de desenvolvimento
O Sense-Lab aplica um framework de desenvolvimento de ecossistemas que organiza o trabalho em fases e momentos práticos. Ele se apoia em um canvas com duas dimensões — o ecossistema (onde atuamos) e a iniciativa em rede (como nos organizamos) — e em um ciclo de maturidade: início (1 ano), desenvolvimento (2–3 anos), maturidade (4–6 anos) e redefinição (mais de 6 anos) [16, 22].

Fase | Momentos | O que acontece |
1. Estruturação da rede | M01 Iniciação M02 Diagnóstico M03 Interpretação M04 Cocriação | Mapeamento de atores, entrevistas, validação de achados, proposta de valor e comitê provisório |
2. Planejamento estratégico | M05 Desenvolvimento M06 Estruturação M07 Detalhamento | Documentos de gestão, teoria de mudança, objetivos de 3 a 5 anos e ações táticas dos GTs |
3. Acompanhamento e avaliação | M08 Acompanhamento M09 Avaliação | Rotina de decisão, apoio aos GTs e preparação para a autonomia da rede |
As duas redes estão em estágios diferentes desse fluxo, o que é parte da riqueza da experiência: a RGTX, já fundada, recebeu apoio direto nas fases 2 e 3; a rede do Sudeste foi estruturada desde a fase 1.
Da escuta à ação: como cada etapa alimenta as redes
Cada momento do método produz algo que a rede passa a usar. A tabela resume essa cadeia nos dois territórios [16]:
Etapa | O que foi feito | Como alimenta a rede |
Mapeamento de atores (M01) | Levantamento de 58 organizações no Sudeste e das instituições já articuladas na Transamazônica | Define quem precisa estar à mesa e orienta a mobilização de novos membros |
Escuta (M02) | Entrevistas aprofundadas com 18 organizações no Sudeste; oficinas de desafios coletivos em Altamira desde 2024 | Gera o diagnóstico comum de gargalos e o banco de dados base da rede |
Interpretação (M03) | Oficina online para validar os achados e formular uma proposta de valor | Transforma percepções individuais em uma leitura compartilhada do território |
Cocriação (M04) | Encontros presenciais em São Félix do Xingu e em Altamira | Pactua propósito, diretrizes, eixos de atuação e o comitê provisório |
Planejamento (M05–M07) | Carta de Princípios, Regimento Interno, teoria de mudança e matrizes de ação | Dá legitimidade às decisões e cria os GTs com coordenações multissetoriais |
Acompanhamento (M08–M09) | Apoio às reuniões dos GTs e da Diretoria; sistematização de aprendizados | Converte prioridades em iniciativas, como o piloto do Pronaf B e o CAR em lote, e prepara a autonomia |
A escuta, em particular, não é uma etapa protocolar. Foi a partir dela que os gargalos descritos na seção 5 (insegurança fundiária, ATER descontínua, logística precária, crédito que não chega) se tornaram os focos dos GTs de Políticas Públicas e de Mecanismos Financeiros, e que a bioeconomia e os mercados institucionais emergiram como a agenda capaz de unir atores com interesses distintos.
A escuta também revelou limites das próprias redes, como a sub-representação de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, que passou a ser pauta explícita de inclusão. E, ao ouvir primeiro e propor depois, as redes começaram a responder ao desgaste deixado por projetos anteriores, que chegavam com soluções prontas.
A Rede de Governança da Transamazônica e Xingu (RGTX)
A RGTX se define como uma articulação multissetorial, não governamental e apartidária, que busca um desenvolvimento sustentável, justo, inclusivo e resiliente para a Transamazônica e Xingu. Na prática, quer fortalecer a agroecologia, a bioeconomia e as cadeias sustentáveis, ajudando o território a produzir, gerar renda e conservar ao mesmo tempo. Sua visão de impacto aponta para quatro mudanças: menor pressão de desmatamento e maior conformidade socioambiental; recuperação de áreas degradadas; mais ofertas e recursos para povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs); e mais renda.

Eixos estratégicos da RGTX · visão, quatro objetivos, resultados e impactos
Cada objetivo se liga a um ou dois resultados da cadeia de impacto da rede, e o conjunto converge para as quatro mudanças esperadas no território. Os GTs são o braço operacional dessa estratégia.
A tabela abaixo mostra os principais momentos coletivos do desenvolvimento da rede em uma linha do tempo
Quando | Marco | Resultado |
Mai/2026 | 1ª Assembleia Geral (Altamira) | 44 organizações; governança em operação e metas de 2026 |
Nov/2025 | Assembleia de Fundação (Altamira) | 28 organizações fundadoras; Regimento e Carta de Princípios aprovados; 4 GTs definidos |
Set/2025 | 3ª Oficina (híbrida) | Definição dos seis pilares de governança |
Abr/2025 | 2ª Oficina (Altamira) | Eleição da comissão executiva provisória |
Out/2024 | 1ª Oficina (Altamira) | Desafios coletivos e mapeamento de soluções |
Hoje a rede reúne 44 organizações: 20 do poder público (secretarias municipais, Emater, Ideflor-Bio, Incra, Adepará, Semas, consórcios), 19 da sociedade civil (TNC, IPAM, ISA, Conservação Internacional, Earthworm, Solidaridad, Conexsus, Fundação Viver, Produzir e Preservar – FVPP, Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura – Fetagri, União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária – Unicafes, cooperativas), 3 de ensino e pesquisa (Embrapa, Instituto Federal do Pará – IFPA, Universidade do Estado do Pará – UEPA) e 2 do setor privado, como a Associação Comercial e Industrial de Altamira (Aciapa). São 88 assentos de titulares e suplentes, 41% ocupados por mulheres. A Carta de Princípios foi assinada por mais de 50 representantes [16, 23].
A governança se organiza em quatro níveis, da decisão coletiva à execução temática:

Estrutura de governança da RGTX: 4 níveis, 4 GTs
A Assembleia reúne todos os membros; o Conselho Deliberativo, com assentos de governo, sociedade civil, pesquisa e setor privado, valida a estratégia; a Diretoria Executiva cuida da rotina; e os GTs, cada um com coordenação e vice de setores diferentes, executam.
O que cada GT está fazendo em 2026:
O GT de Restauração conduz a análise histórica da paisagem, conecta o balanço da vegetação secundária ao PRVN-PA e sistematiza modelos demonstrativos de ISA, IPAM e Ideflor-Bio.
O GT de Cadeias Produtivas prioriza poucas frentes: o sistema de produção alimentar da Embrapa com microcrédito de R$ 10 mil a R$ 20 mil, SAF de cacau, açaí e cumaru com unidade demonstrativa, e assistência técnica e gerencial para cerca de 200 pecuaristas (TNC, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar e Sindicato Rural de Altamira – Siralta).
O GT de Políticas Públicas trabalha em um termo de cooperação entre TNC, agência alemã de cooperação internacional (GIZ) e Incra, em um piloto de CAR em lote inspirado no modelo do assentamento Tuerê, no Programa Terra Cidadã e na articulação com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para PAA e PNAE.
O GT de Mecanismos Financeiros funciona como núcleo de inteligência financeira da rede: traz bancos (Banco do Estado do Pará – Banpará, Sistema de Crédito Cooperativo – Sicredi, e Caixa Econômica Federal) para a mesa, desenha pilotos de PSA em terras coletivas e estrutura a captação da própria rede.
Um exemplo de como a rede opera: a estratégia territorial do Pronaf B: Em setembro de 2026, o GT de Mecanismos Financeiros apresentou, com a SUDAM, uma proposta para ampliar o acesso de agricultores familiares de menor renda ao Pronaf B [24]. O diagnóstico é que a existência da linha não garante acesso: o crédito esbarra em informação, Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), documentação, ATER e na relação com os agentes financeiros. A resposta é organizar o crédito como uma jornada:
Organizar o território: articulação institucional e diagnóstico de público, parceiros e gargalos.
Preparar o público: mobilização, triagem, CAF e documentação, com Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs), associações e cooperativas.
Viabilizar o crédito: propostas produtivas compatíveis com a capacidade de pagamento, com o Banco da Amazônia e outros agentes.
Sustentar os resultados: acompanhamento pós-crédito, ATER e aprendizagem para expansão.
O público prioritário inclui mulheres, jovens, assentados, povos e comunidades tradicionais e extrativistas, em oito municípios da Transamazônica e quatro do Sudeste Paraense. O piloto vai de setembro de 2026 a outubro de 2027. A proposta deixa claros os limites: SUDAM e TNC não concedem nem garantem crédito; elas articulam, alinham o desenho ao PRDA e ao FNO e monitoram. É um retrato fiel do papel de uma rede — não substituir instituições, mas fazer com que elas funcionem juntas.
A Rede de Governança do Sudeste do Pará
A rede do Sudeste nasceu inspirada na RGTX e com o mesmo desenho institucional: Assembleia Geral, Conselho Deliberativo, Diretoria Executiva e quatro GTs. Seu propósito é promover uma trajetória de desenvolvimento que una crescimento econômico e preservação ambiental, com melhoria da qualidade de vida nas diversas regiões do território.
O percurso foi rápido. Após um diagnóstico com entrevistas aprofundadas a 18 organizações-chave, um encontro online e o primeiro encontro presencial em São Félix do Xingu, com mais de 50 participantes, validaram a proposta. O Comitê Executivo passou a se reunir em maio de 2026 e, em 23 e 24 de junho, o encontro de estruturação validou o Regimento e a Carta, definiu os membros, constituiu o Comitê Executivo Provisório e priorizou os GTs. Um novo encontro ampliado está previsto para novembro de 2026 [25].
Entre julho e outubro de 2026, o Comitê Executivo Provisório se reuniu mensalmente para refinar os focos de trabalho, mobilizar instituições estratégicas e acompanhar as primeiras ações. A SUDAM passou a integrar o Comitê, e o NAP preparou estudos para priorizar os assentamentos do primeiro lote de CAR. O 3º Encontro da Rede, marcado para 12 e 13 de novembro de 2026, deve eleger o Conselho Deliberativo e a Diretoria Executiva, acolher novas organizações e detalhar duas ações concretas: o CAR em lote nos assentamentos, a partir da experiência do Tuerê, e uma estratégia de microcrédito com as organizações de ATER [26].

Modelo de governança da Rede do Sudeste do Pará: instâncias definitivas e estrutura de transição
O desenho segue o Regimento Interno da rede: a Assembleia elege um Conselho de 11 a 15 membros, com pelo menos 40% de mulheres, que escolhe a Diretoria. Até a eleição, o Comitê Executivo Provisório faz a ponte entre o diagnóstico e a operação, e os GTs já trabalham nos focos definidos a partir da escuta.
A rede reúne 18 organizações membro e 34 representantes de São Félix do Xingu, Tucumã, Ourilândia do Norte e Água Azul do Norte. Entre elas estão cooperativas e associações (Cacuxi, Camppax, OCA, AMPPF), sindicatos (STTR São Félix, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Tucumã, Fetagri), órgãos públicos (secretarias municipais de agricultura de São Félix – Semagri – e de Água Azul do Norte – Semapa, Incra, Ideflor-Bio, Conselho de Alimentação Escolar) e organizações de apoio e pesquisa (TNC, Imaflora, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – Unifesspa, NAP, Crescer Consultoria). O mapeamento identificou 58 organizações no território: 18 já na rede, 8 próximas e 15 ainda sem contato. Nenhuma empresa ou instituição financeira integra a rede ainda, embora Banco da Amazônia, Companhia do Cacau e Ofi já tenham participado de encontros.
Os cinco eixos, definidos coletivamente a partir da escuta e do primeiro encontro presencial, são fortalecimento institucional e governança, estruturação produtiva, acesso a mercado, políticas públicas e regularização, e inclusão social. Três focos foram priorizados para o primeiro ciclo:
Regularização fundiária e ambiental: fortalecer o União com Municípios em São Félix do Xingu, mobilizar a Rede MMA de ATER, firmar cooperação com sindicatos rurais, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e MDA e avançar no Projeto de Assentamento (PA) Novo Oeste.
Mecanismos financeiros e mercado: reunir as organizações de ATER para preparar famílias e cooperativas para o crédito (CAF, regularização, planejamento) e ampliar o mercado regional de polpas e açaí, com incidência junto à Adepará para destravar selos de inspeção sanitária municipal (SIM), estadual (SIE) e federal (SIF).
Conscientização ambiental: levantar informações sobre o uso de agrotóxicos em São Félix, planejar ações com a ATER e levar o tema às escolas, engajando a Secretaria Municipal de Educação (Semed), a Unifesspa, Senar e a Casa Familiar Rural.

Os cinco eixos dão os contornos de longo prazo da rede. Os três focos priorizados são por onde a rede começa a entregar resultados visíveis, condição para manter o engajamento no território.
Dois estágios, um sistema
As duas redes se reforçam. A RGTX, mais madura, oferece à rede do Sudeste modelos de regimento, de Grupos de Trabalho e de relação com o poder público. A do Sudeste, por sua vez, leva a agenda para o epicentro da pecuária amazônica. Estratégias como a do Pronaf B já foram desenhadas para os dois territórios ao mesmo tempo. Um embrião de uma governança em escala de paisagem, do Xingu ao Araguaia.
7. Desafios e oportunidades
Com a sua trajetória recente de estruturação de políticas e instrumentos públicos e articulação de atores, o Pará já tem arcabouço institucional, metas e planos. O que falta é capacidade de implementação no território. Contudo, existem múltiplos desafios para avançar com essa agenda e aterrissar de fato nos territórios. Esses desafios se espelham também em oportunidades.
Desafio | Oportunidade correspondente |
Regularização fundiária e CAR sem validação travam crédito, rastreabilidade e PSA | União com Municípios, CAR em lote e acordos com Incra, Iterpa e Semas; redes como articuladoras de mutirões |
Pecuária extensiva e de baixa produtividade ocupa a maior parte da área aberta | Intensificação e rastreabilidade liberam pastagens degradadas para SAF e restauração, e abrem mercados exigentes |
Valor da bioeconomia capturado fora do estado | Agroindústria local, selos sanitários, marcas de origem (como o cacau de Medicilândia) e compras públicas |
ATER escassa e fragmentada | Coordenação territorial das ofertas de Emater, Senar, ONGs e empresas, com um plano único por território |
Crédito existe, mas não chega | Jornadas integradas como a do Pronaf B, FNO, fundos de blended finance e bancos na mesa das redes |
Logística precária e dependência de atravessadores | Cooperativas fortalecidas, compras coletivas e investimento em infraestrutura rural pelo PRDA |
Violência, grilagem e garimpo ilegal | Presença do Estado articulada a municípios e à sociedade civil; monitoramento compartilhado |
Jovens deixando o campo | Casas Familiares Rurais, empregos verdes na restauração e renda do cacau e do açaí |
Integridade do carbono e consulta prévia | Repartição de benefícios transparente e governança territorial legítima para receber recursos |
Os riscos presentes nas próprias redes: A experiência na Transamazônica e no Sudeste mostra que os maiores riscos não são técnicos, mas relacionais e políticos. Manter o engajamento é mais difícil do que mobilizar: é preciso entregar valor cedo, com resultados visíveis. Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais ainda estão sub-representados, e a presença municipal no Sudeste se concentra em São Félix do Xingu. Há poucas organizações locais com capacidade de sustentar a rede sem a TNC e o Sense-Lab, e o risco de sobreposição e competição entre projetos e editais é real. Por fim, o histórico de iniciativas que não deixaram resultado cria resistência inicial, que só se vence com evidências.
Os avanços e conquistas: Por outro lado, a presença de lideranças locais que assumem o papel de porta-vozes gera um efeito dominó de adesão. A bioeconomia e os mercados institucionais funcionam como denominador comum entre atores muito diferentes. E as redes passaram a ser vistas como ponte entre os níveis municipal, estadual e federal — justamente o elo que as políticas do estado mais precisam.
8. Do Xingu ao Araguaia: caminhos para uma referência internacional
A região pode se tornar uma referência global em economia sustentável e de impacto se conseguir mostrar, com dados, que produz mais, desmata menos e distribui melhor. O contexto nunca foi tão favorável. A COP30 colocou Belém no centro da agenda climática; o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado no evento com a adesão de 53 países, pretende mobilizar até US$ 125 bilhões para remunerar a floresta em pé [27]; e o Pará já tem um contrato de REDD+ jurisdicional com compradores globais. Falta converter esses fluxos em investimento que chegue ao território. Sete alavancas podem fazer essa ponte.
O território como unidade de investimento: Investidores de impacto e fundos climáticos buscam escala e governança confiável, não projetos isolados. As redes podem organizar um pipeline territorial de projetos captáveis para restauração, SAF, agroindústria, ATER e com prioridades pactuadas e sem sobreposição. O GT de Mecanismos Financeiros da RGTX já foi desenhado para ser esse núcleo de inteligência financeira.
Integridade verificável: Mercados como o europeu exigem produtos livres de desmatamento e com origem comprovada. CAR validado, rastreabilidade bovina, monitoramento compartilhado da paisagem e indicadores públicos transformam a conformidade em vantagem competitiva para o cacau da Transamazônica e a carne do Sudeste.
Marca de origem e valor agregado: O cacau de Medicilândia já é premiado internacionalmente. Os selos de origem, indicações geográficas, chocolates bean-to-bar, polpas com certificação sanitária e produtos da sociobiodiversidade da Terra do Meio podem levar o nome do território a mercados de alto valor.
Finanças combinadas e fundos territoriais: A experiência mapeada pela TNC em outras redes, incluindo fundos de reserva, cofinanciamento, blended finance e mantenedores-âncora, aponta para um fundo territorial que combine recursos do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), do Fundo Amazônia, do REDD+ jurisdicional, do TFFF, de filantropia e de empresas das cadeias do território.
Pagamento a quem conserva e restaura. A repartição de benefícios do REDD+, os PSA do União com Municípios e pilotos em terras coletivas podem remunerar agricultores, povos indígenas e comunidades tradicionais, desde que com consulta prévia, transparência e governança legítima. Papel este que as redes ajudam a cumprir.
Laboratório vivo e conhecimento aberto. Com Embrapa, UFPA, Unifesspa, IFPA e UEPA, a região pode produzir evidências sobre restauração produtiva, pecuária de baixo carbono e SAF, e compartilhá-las com outras paisagens tropicais, inclusive as da bacia do Congo e de Bornéu, que integram o TFFF.
Conectividade física e digital. Estradas vicinais trafegáveis, energia solar descentralizada, internet rural e logística de cadeias curtas são pré-condições para que a floresta em pé seja economicamente competitiva.
Um portfólio de produtos e serviços sustentáveis
Além das cadeias e dos mecanismos financeiros já descritos, a região pode desenvolver um portfólio mais amplo, que agregue valor ao que já produz e crie novas fontes de renda baseadas em conhecimento, serviços e floresta em pé. Seis frentes se destacam:
Frente | Exemplos de produtos e serviços | Por que a região tem vantagem |
Serviços de restauração | Coleta e venda de sementes nativas, viveiros, implantação e manutenção de restauração e de SAF como serviço contratado | Meta de 5,65 Mha do PRVN-PA, passivos do Código Florestal e experiência da Rede de Sementes do Xingu e do Cacau Floresta |
Monitoramento e verificação | Monitoramento de carbono, biodiversidade e água, com satélite e coleta comunitária; apoio à rastreabilidade e ao CAR | Demanda do REDD+ jurisdicional, do TFFF e de compradores internacionais; base técnica de IPAM, Imazon e universidades |
Bioinsumos e insumos da floresta | Biofertilizantes, controle biológico de pragas, mudas clonais de cacau, compostos feitos de cascas de cacau e caroços de açaí | Resposta direta ao problema dos agrotóxicos levantado no Sudeste e à escala das cadeias de cacau e açaí |
Produtos de alto valor | Chocolate e derivados de cacau fino, óleos e extratos (andiroba, copaíba, cumaru), cosméticos, alimentos funcionais, queijos e carne rastreada com origem | Cacau premiado de Medicilândia, sociobiodiversidade da Terra do Meio e rebanho em processo de rastreabilidade |
Energia e economia circular | Energia solar para agroindústrias e comunidades; aproveitamento de resíduos como biomassa e embalagens | Agroindústrias dispersas, rede elétrica frágil e grande volume de resíduos das cadeias |
Turismo e economia do conhecimento | Turismo de base comunitária e de experiência (rota do cacau, rio Xingu), campos de pesquisa e formação, eventos sobre bioeconomia | Paisagens singulares, povos e culturas diversos e visibilidade internacional após a COP30 |
Esse portfólio tem uma característica comum: quase todas as frentes dependem de coordenação territorial, padrões de qualidade compartilhados, logística coletiva, dados abertos e confiança entre compradores e produtores. Esse é o tipo de função que as redes podem entregar, e que distingue uma região de um conjunto de projetos isolados.
9. Considerações finais
O Pará tem hoje uma rara combinação: metas climáticas ambiciosas, liderança nacional em cadeias da sociobiodiversidade, compradores internacionais para seus resultados florestais e visibilidade global após a COP30. O que ainda separa essa agenda de uma transformação real é a distância entre o plano estadual e o chão no território.
As experiências da Transamazônica e Xingu e do Sudeste Paraense sugerem que redes territoriais multissetoriais podem ser uma forma eficaz de encurtar essa distância. Elas tornam as prioridades visíveis, organizam o que já existe e fazem convergir recursos; aproximam secretarias municipais de Incra, Semas, SUDAM e bancos; e dão voz a cooperativas, sindicatos e comunidades na definição do que deve vir primeiro. Em menos de dois anos, a RGTX passou de oficinas a uma rede formal de 44 organizações com quatro GTs em operação, e a rede do Sudeste se estruturou no município com o maior rebanho do país.
O próximo ciclo será decisivo. Para a RGTX, o desafio é entregar resultados concretos em 2026 e ganhar autonomia operacional. Para o Sudeste, é formalizar-se com legitimidade e ampliar sua presença para além de São Félix do Xingu. Para ambas, é incluir de fato povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, trazer o setor privado e financeiro para dentro e construir um modelo próprio de financiamento. Se conseguirem, as duas regiões que simbolizaram a fronteira do desmatamento podem se tornar a vitrine de uma nova economia amazônica — produtiva, justa e com a floresta em pé.
Referências
[1] IMAZON. Desmatamento no Brasil fica abaixo de um milhão de hectares em 2025. Belém: Imazon, 2026. Disponível em: https://imazon.org.br/noticias/desmatamento-no-brasil-fica-abaixo-de-um-milhao-de-hectares-em-2025
[2] INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Estimativa de desmatamento na Amazônia Legal para 2025: nota técnica Prodes. São José dos Campos: INPE, 2025. Disponível em: https://data.inpe.br/wp-content/uploads/sites/3/2025/10/20251015Nota_tecnica_EstimativaPRODES_2025_F.pdf
[3] REBANHO bovino atinge 238 milhões de cabeças; Mato Grosso mantém liderança. Acrissul, Campo Grande, set. 2025. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal 2024 (IBGE). Disponível em: https://www.acrissul.com.br/noticias/rebanho-bovino-atinge-238-milhoes-de-cabecas-mato-grosso-mantem/26938/
[4] PARÁ movimenta R$ 38,38 bilhões com produção agrícola em 2025. O Liberal, Belém, set. 2026. Disponível em: https://www.oliberal.com/economia/para-movimenta-r-38-38-bilhoes-com-producao-agricola-em-2025-1.1172382
[5] THE NATURE CONSERVANCY (TNC). Cacau Floresta: há 10 anos restaurando áreas degradadas junto a pequenos produtores do Pará. São Paulo: TNC Brasil, 25 maio 2023. Disponível em: https://www.tnc.org.br/o-que-fazemos/nossas-iniciativas/desenvolvimento-rural-sustentavel/agroflorestas/cacau-floresta/10-anos-cacau-floresta/
[6] PARÁ é o 1º estado a assinar acordo de créditos de carbono. Poder360, Brasília, 24 set. 2024. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/para-e-o-1o-estado-brasileiro-a-assinar-acordo-de-creditos-de-carbono/
[7] PARÁ. Decreto nº 3.552, de 2023. Institui o Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa do Pará (PRVN-PA). Diário Oficial do Estado do Pará, Belém, 2023. Disponível em: https://ideflorbio.pa.gov.br/wp-content/uploads/2024/02/Decreto-no-3.552-2023-Institui-o-Plano-Estadual-de-Recuperacao-da-Vegetacao-Nativa-do-Para-PRVN-PA.pdf
[8] WRI BRASIL. Experiência do plano de restauração do Pará pode inspirar toda a Amazônia. São Paulo: WRI Brasil, 2025. Disponível em: https://www.wribrasil.org.br/noticias/experiencia-do-plano-de-restauracao-do-para-pode-inspirar-toda-amazonia
[9] DECRETO do governador amplia o prazo para a rastreabilidade de bovinos e bubalinos no estado. Agência Pará, Belém, dez. 2025. Disponível em: https://www.agenciapara.com.br/noticia/73041/decreto-do-governador-amplia-o-prazo-para-a-rastreabilidade-de-bovinos-e-bubalinos-no-estado
[10] GOVERNO federal investe R$ 132 milhões em regularização fundiária na Amazônia. Jornal de Brasília, Brasília, abr. 2026. Disponível em: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/governo-federal-investe-r-132-milhoes-em-regularizacao-fundiaria-na-amazonia/
[11] COSTA, F. A. et al. Bioeconomia da sociobiodiversidade no estado do Pará. Brasília, DF: The Nature Conservancy; Banco Interamericano de Desenvolvimento; Natura, 2021. (IDB-TN-2264). Disponível em: https://www.tnc.org.br/conecte-se/comunicacao/noticias/estudo-de-bioeconomia/
[12] THE NATURE CONSERVANCY (TNC). A bioeconomia da sociobiodiversidade: entenda desde as origens do conceito até sua prática pelas comunidades tradicionais da Amazônia. São Paulo: TNC Brasil, 2022. Disponível em: https://www.tnc.org.br/conecte-se/comunicacao/artigos-e-estudos/bioeconomia-da-sociobiodiversidade-conceitos/
[13] FILIPPE, M. Nova Economia da Amazônia pode adicionar R$ 40 bilhões ao PIB em 2050. Exame, São Paulo, 20 jun. 2023. Disponível em: https://exame.com/esg/nova-economia-da-amazonia-pode-adicionar-r-40-bilhoes-ao-pib-em-2050/
[14] PARÁ lidera produção de cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor. Gazeta Carajás, Marabá, 2026. Disponível em: https://www.gazetacarajas.com/noticia/para-lidera-producao-de-cacau-no-brasil-e-concentra-mais-de-50-da-riqueza-do-setor
[15] COM apoio do Estado, produção e exportação do cacau paraense crescem com reconhecimento internacional. Agência Pará, Belém, mar. 2024. Disponível em: https://www.agenciapara.com.br/noticia/52712/com-apoio-do-estado-producao-e-exportacao-do-cacau-paraense-crescem-com-reconhecimento-internacional
[16] SENSE-LAB; THE NATURE CONSERVANCY (TNC). Sistematização e planejamento das redes: Sudeste do Pará, Transamazônica e Xingu. Relatório integrado (Produto A). [S. l.], abr. 2026. Documento interno.
[17] EHRLICHMAN, D. Impact networks: create connection, spark collaboration, and catalyze systemic change. Oakland: Berrett-Koehler, 2021.
[18] KANIA, J.; KRAMER, M. Collective impact. Stanford Social Innovation Review, Stanford, v. 9, n. 1, p. 36-41, 2011.
[19] SAYER, J. et al. Ten principles for a landscape approach to reconciling agriculture, conservation, and other competing land uses. Proceedings of the National Academy of Sciences, Washington, v. 110, n. 21, p. 8349-8356, 2013. DOI: https://doi.org/10.1073/pnas.1210595110.
[20] UMA CONCERTAÇÃO PELA AMAZÔNIA. Sobre nós. [S. l.], 2026. Disponível em: https://concertacaoamazonia.com.br/sobre-nos/.
[21] REDE XINGU+. Quem somos. [S. l.], [2025?]. Disponível em: https://xingumais.org.br/quem-somos.
[22] THE NATURE CONSERVANCY (TNC). Estratégia Rede de Governança: Transamazônica e Sudeste do Pará. [S. l.], jul. 2026. Apresentação. Documento interno.
[23] REDE DE GOVERNANÇA TRANSAMAZÔNICA E XINGU (RGTX). Rede de Governança Transamazônica e Xingu. Altamira, set. 2026.
[24] REDE DE GOVERNANÇA TRANSAMAZÔNICA E XINGU (RGTX). GT Mecanismos Financeiros: proposta de estratégia territorial para ampliar o acesso ao Pronaf B. Altamira, 15 set. 2026.
[25] REDE DE GOVERNANÇA DO SUDESTE DO PARÁ. Rede de Governança do Sudeste do Pará: Comitê Executivo. São Félix do Xingu, ago. 2026. Apresentação.
[26] REDE DE GOVERNANÇA DO SUDESTE DO PARÁ. 3º Encontro da Rede: proposta de agenda, 12 e 13 de novembro de 2026. São Félix do Xingu, set. 2026. Apresentação.
[27] BOLDRINI, G. TFFF: fundo lançado na COP30 promete revolucionar investimento em florestas. BB Investalk, 7 nov. 2025. Disponível em: https://investalk.bb.com.br/noticias/sustentabilidade/tfff-fundo-lancado-na-cop30-promete-revolucionar-investimento-em-florestas
[28] REGIONAL IMPACT TRADE ALLIANCE (RITA). The Regional Impact Trade Alliance. [S. l.], 2025. Disponível em: https://www.rita.earth/
[29] REGIONAL IMPACT TRADE ALLIANCE (RITA). About us. [S. l.], 2025. Disponível em: https://globalrita.com/about-us





Comentários